Sustentabilidade


Amazônia: Queimadas em julho superam mesmo período de 2019

Dados do Inpe, mostra uma alta de 14,5% em relação ao mesmo mês de 2019 no bioma

01/08/2020 10h01

Foto: Divulgação

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectou um aumento de 14,5% nas queimadas em julho deste ano em relação ao mesmo mês de 2019 na Amazônia, mesmo que os registros do dia 31 ainda não tenham sido contabilizados. Além disso, na quinta-feira (30) teve 1.007 pontos de calor incluídos no sistema de monitoramento, dia que mais queimou em julho nos últimos 15 anos.

Ainda segundo dados do instituto, que é responsável oficial pelo monitoramento no Brasil, os mais de 6 mil pontos de calor encontrados na Amazônia representam 41,5% de todos os biomas que sofreram queimadas neste mês. O Cerrado apresentou 5.310 focos - 36,2% do total.

No entanto, neste ano, o total de focos desde janeiro na Amazônia Legal apresentou uma queda de -5% em relação a 2019. Alguns estados apresentam uma forte alta: Acre (30%); Amazonas (51%); e Pará (50%). Tocantins, Rondônia e Roraima tiveram queda no número de queimadas neste ano, com - 18%, - 63% e -27%.

Queimadas e desmatamento

As queimadas são apenas uma das etapas do ciclo de uso da terra na Amazônia. Depois do desmate, se nada de novo acontecer, a floresta pode se regenerar. Uma floresta secundária, no entanto, nunca será como uma original, mesmo que uma parte da biodiversidade consiga se restabelecer. Na prática, o que acontece é que a mata não tem tempo de crescer de novo.

De acordo com ambientalistas ouvidos pelo G1, há muito mais a ser queimado ainda na Amazônia, já que novos recordes de desmate foram batidos neste ano.

"O fogo é uma das principais ferramentas utilizadas para o desmatamento, especialmente por grileiros e agricultores, que o usam para limpar áreas para uso agropecuária ou especulação. Isso é mais uma prova que esse governo não tem uma política de proteção ambiental e tenta, de maneira desorganizada, passar a imagem que está tentando resolver o problema", disse Rômulo Batista, porta-voz do Greenpeace.

O bioma registrou 1.034,4 km² de área sob alerta de desmatamento em junho, recorde para o mês em toda a série história, que começou em 2015. No acumulado do semestre, os alertas indicam devastação em 3.069,57 km² da Amazônia, aumento de 25% em comparação ao primeiro semestre de 2019.

Os alertas até junho de 2020 apontam: sinais de devastação em 3.069,57 km² da Amazônia neste ano; aumento de 25% de janeiro a junho, comparado ao mesmo período do ano anterior; aumento de 64% no acumulado dos últimos 11 meses, comparado ao período anterior (a um mês do fechamento oficial de desmatamento, alertas apontam tendência de aumento na devastação); o número de junho é 10,6% maior do que o registrado no mesmo mês em 2019;

na comparação com maio, houve aumento de 24,31% em relação ao mesmo mês de 2019, que também havia sido recorde para o período. Os dados servem de indicação às equipes de fiscalização sobre onde pode estar havendo crime ambiental. Os números não representam a taxa oficial de desmatamento, que é medida por outro sistema, divulgado uma vez ao ano.

Aumento das queimadas no Pantanal

O Pantanal mato-grossense teve um aumento de 530% nos registros de queimadas no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Os focos de calor em alta durante o período chuvoso no bioma alertam para um cenário crítico com a chegada da seca em todo o estado, época mais suscetível às queimadas.

Em entrevista ao Jornal Nacional, pesquisadores relacionam o aumento das queimadas no Pantanal também ao desmatamento na Amazônia - é da floresta que vem a maior parte da umidade que alimenta o Pantanal, explicam.

"Essa baixa quantidade de chuvas fez com que nós tivéssemos, este ano, a menor cheia dos últimos 47 anos. E, segundo as nossas estimativas, é bem provável que nós teremos também a maior seca desse mesmo período", avaliou Carlos Padovani, da Embrapa.

A floresta lança no ar a umidade que é levada pelas correntes até esbarrar na Cordilheira do Andes. Volta, então, distribuindo chuva para toda uma região que vai até o Sul do Brasil. Quando esse maciço verde começa a ser fragmentado, não lança tanta umidade assim e falta chuva no Centro-Oeste.

“Nestas condições, não ocorre a recarga dos aquíferos que viabilizam o retorno dessa umidade estocada na bacia para a formação de nuvens. Então, se a chuva de 600 milímetros acontecesse somente em outubro e novembro, os demais meses ficam secos e a estiagem será maior”, explicou Ivan Bergier, da Embrapa.

Fonte: G1