Transporte Aéreo


Assento ‘do meio’ vazio em avião sem incentivo da Infraestrutura

Iata alertou que a solução poderia encarecer o preço da passagem em até 54%

22/05/2020 13h33

Foto: Divulgação

O Ministério da Infraestrutura não cogita incentivar como medida sanitária o distanciamento de passageiros em aviões. A iniciativa restringiria o uso do “assento do meio” para evitar a propagação do novo coronavírus. Recentemente, a Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata) alertou que a solução poderia encarecer o preço da passagem em até 54%.

Os estudos da entidade mostraram que, na América Latina, a medida tornaria a tarifa até 50% mais cara, quando comparada a 2019. Isso porque a taxa de ocupação máxima seria reduzida para 62%, abaixo dos mínimos 77% para que as empresas não tenham prejuízo.

Além disso, o distanciamento não seria efetivo do ponto de vista sanitário, diz a Iata. Segundo a associação, o ambiente dos aviões é mais seguro do que em outros modais de transporte. Entre os motivos está o fato de que o filtro de ar usado nas aeronaves é do mesmo modelo dos hospitais. Como o passageiro normalmente olha para frente, com interações limitadas, o risco também cai. Segundo Dany Oliveira, diretor da Iata no Brasil, os próprios assentos são uma barreira à propagação.

O Secretário Nacional de Aviação Civil, Ronei Saggioro Glanzmann, concorda com a Iata. De acordo com ele, os custos no mercado de aviação são contados nos detalhes e obrigar as aéreas a voarem com assentos vazios teria impacto muito pesado para o passageiro. A secretaria não trabalha com essa possibilidade

Glanzmann disse que as medidas sanitárias adotadas na pandemia devem ser compatíveis com as operações da aviação civil. Nesta semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou nota técnica atualizando as medidas a serem adotadas em aeroportos e aviões. O documento reforça a necessidade de uso de máscara e traz regras para o serviço de bordo, por exemplo. As orientações foram definidas com o auxílio da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Fonte: Estadão