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Economia

Acho difícil que Brasil consiga reverter as tarifas, diz ex-OMC

Roberto Azevêdo afirma que medida do governo norte-americano foi criada para justificar taxas

07/07/2026 09h35

Foto: Divulgação

O ex-diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Roberto Azevêdo, afirmou que acha difícil que o Brasil consiga reverter a imposição dos Estados Unidos de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.

"Estive recentemente no Departamento de Estado e no USTR (Escritório do Representante Comercial da Casa Branca), e a mensagem que recebi foi muito clara: os impostos e as taxas serão implementados. Acho muito difícil que, nesta altura, consigamos reverter essa decisão", afirmou em entrevista à CNN Brasil.

Azevêdo ainda avaliou que a tarifa adicional faz parte de uma estratégia do governo norte-americano para fortalecer a indústria doméstica e ampliar a arrecadação.

Segundo o ex-membro da OMC, a medida está alinhada ao discurso do presidente Donald Trump, que defende o aumento das taxas de importação como forma de estimular investimentos produtivos no país.

Para Azevêdo, ao encarecer produtos importados, a expectativa da administração norte-americana é incentivar empresas a instalar ou ampliar fábricas nos EUA, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros.

"É uma medida que foi criada para justificar o aumento das tarifas. O presidente Trump, desde o começo, disse que gostaria de subir as tarifas por dois motivos centrais. O primeiro era provocar ou viabilizar a reindustrialização dos Estados Unidos. O outro motivo é aumentar a arrecadação para compensar os subsídios e estímulos ao setor produtivo norte-americano", explicou o diplomata.

Tarifas de 25%

Começou na segunda-feira (6), a audiência pública entre representantes do setor produtivo e o governo dos Estados Unidos para discutir as novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

Recomendadas pelo USTR, as novas alíquotas são resultado da investigação conduzida com base na Seção 301, que aponta o suposto favorecimento ao Pix, acordos comerciais preferenciais, etanol, desmatamento, corrupção e pirataria como justificativas para a imposição de novas tarifas contra o Brasil.

Até esta terça-feira (7), representantes dos setores brasileiros afetados, assim como integrantes do setor produtivo americano, terão a última oportunidade de defender medidas menos severas antes da decisão final, prevista para o próximo dia 15.

Como irá funcionar a audiência

A audiência acontece na Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em Washington, e será dividida em 14 painéis. Os primeiros sete foram realizados na segunda-feira (6), enquanto os sete restantes começam às 11h desta terça-feira (7), horário de Brasília.

Representantes dos setores brasileiros afetados, assim como importadores, distribuidores, indústrias, associações, federações, câmaras de comércio, consultorias, escritórios especializados, entidades de representação econômica e demais participantes inscritos que possam apresentar argumentos técnicos e objetivos sobre os impactos das tarifas contarão com cinco minutos para apresentar um resumo executivo em defesa da cadeia produtiva que representam.

O processo também prevê momentos para questionamentos, que poderão ser feitos pelo próprio USTR, seguidos das respectivas respostas das entidades participantes.

Os preparativos para as audiências começaram ainda no mês passado. Os interessados tiveram até o dia 22 de junho para solicitar participação no processo e até 1º de julho para encaminhar manifestações por escrito, que servirão de base para as apresentações.

Fonte: CNN Brasil