30/03/2026 11h03
Foto: Divulgação
O futuro do Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro, começa a ser decidido nesta segunda-feira (30). Além do atual operador – Vinci Airports e Changi Airports International – o leilão terá outros dois participantes, sendo eles a Zurich Airport e a espanhola Aena.
O terminal vai a leilão em um modelo de venda assistida que promete atrair três grandes grupos do setor aeroportuário global e, com isso, reacender a disputa por um dos principais hubs aéreos do país.
O certame será realizado na sede da B3, em São Paulo, a partir das 15h. O lance mínimo está fixado em R$ 932 milhões, e o vencedor ainda terá que assumir compromissos financeiros relevantes ao longo da concessão.
O modelo escolhido pelo governo federal, com aval da Tribunal de Contas da União, é o de venda assistida. Trata-se de uma solução desenhada para reequilibrar contratos problemáticos e atrair novos investidores.
Na prática, o processo é relativamente simples: vence quem oferecer a maior contribuição inicial pela concessão. Ou seja, apesar de existir um valor mínimo de R$ 932 milhões, o critério decisivo será o maior lance.
Além do pagamento à vista, o vencedor também terá que arcar com uma contribuição variável anual de 20% do faturamento bruto até 2039. Esse ponto é considerado crucial para garantir retorno à União ao longo do tempo.
Infraero deixará a operação
Outro detalhe importante: a concessionária vencedora assumirá 100% do controle do aeroporto. Isso porque a Infraero, que hoje detém 49% da operação, deixará o negócio completamente até março de 2026.
Esse não é um leilão comum. O modelo de venda assistida foi criado justamente para resolver impasses contratuais sem precisar romper completamente os acordos anteriores. No caso do Galeão, a concessão original enfrentou dificuldades desde os primeiros anos, principalmente por projeções de demanda que não se concretizaram. A pandemia agravou ainda mais o cenário.
A solução construída com a Agência Nacional de Aviação Civil e o TCU permitiu ajustar o contrato, tornando-o mais atrativo para investidores – e, ao mesmo tempo, garantindo continuidade operacional.
Entre as mudanças relevantes estão:
Entre janeiro e outubro de 2025, o aeroporto movimentou cerca de 14,2 milhões de passageiros, além de mais de 83 mil toneladas de cargas.
Quem deve disputar o Galeão
O novo leilão do Galeão deve atrair três concorrentes, segundo fontes ligadas ao processo. O número de grupos que apresentaram propostas, porém, só será divulgado na abertura dos envelopes.
O primeiro concorrente deve ser o próprio operador atual do Galeão, formado pela francesa Vinci Airports e pela Changi Airports International.
A Vinci entrou recentemente no negócio, em 2025, ao adquirir parte da participação da Changi. Antes disso, a empresa asiática chegou a cogitar devolver a concessão, alegando frustração com a demanda abaixo do esperado — um reflexo direto da crise no setor aéreo e da concorrência com o Santos Dumont.
Mesmo assim, o consórcio decidiu permanecer e agora tenta manter o controle do ativo no novo leilão. A vantagem aqui é óbvia: eles já conhecem a operação, os desafios e o potencial de crescimento do Galeão.
Outro nome forte na disputa deverá ser a Aena, uma das maiores gestoras aeroportuárias do mundo.
No Brasil, a Aena já tem presença consolidada, operando 17 aeroportos – incluindo o estratégico terminal de Congonhas, em São Paulo. A empresa vem expandindo sua atuação no país e vê no Galeão uma oportunidade de reforçar sua posição em um dos mercados mais relevantes da América Latina.
A experiência internacional e o histórico recente de investimentos agressivos tornam a Aena uma candidata de peso.
Completa a lista de concorrentes esperados a suíça Zurich Airport, que também já atua no Brasil.
A empresa é responsável pela gestão do aeroporto de Florianópolis, frequentemente citado como um dos melhores do país em qualidade de serviço. A Zurich tem um perfil mais focado em eficiência operacional e experiência do passageiro.
Fonte: Estadão Conteúdo