21/05/2026 09h00
Foto: Ilustrativa
Enquanto a pressão por conformidade cresce em auditorias, contratos e processos de investimento, a prática ainda revela um cenário pouco estruturado. Levantamentos indicam que apenas cerca de 36% das empresas se consideram totalmente adequadas à LGPD — sendo a maioria grandes corporações, que passaram a exigir o mesmo nível de proteção de empresas médias e pequenas para manter relações comerciais.
O ponto crítico, segundo o mercado, não está apenas na adequação jurídica, mas na ausência de processos estruturados para identificar, classificar e documentar riscos. Sem isso, empresas têm dificuldade para comprovar governança de dados, o que já impacta negociações e avaliações de compliance.
“A análise de risco é o que transforma a LGPD em prática real dentro da empresa. Sem essa etapa, a governança fica frágil e difícil de demonstrar”, afirmam os empresários Gustavo Henrique Brandão e Kleber Ferreira.
A constatação levou os dois a fundarem, em Itajaí (SC), a PROTEGE Análise de Risco em Proteção de Dados LTDA, responsável pela plataforma LGPD Protege — um software focado justamente em estruturar essa etapa crítica da legislação.
A proposta parte de um diagnóstico comum: embora muitos escritórios jurídicos ofereçam serviços de compliance, grande parte das empresas acredita estar adequada apenas com essa entrega. No entanto, a exigência da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) vai além.
“O foco do órgão regulador não está no compliance documental, mas na capacidade de demonstrar, na prática, como a empresa identifica e mitiga riscos no tratamento de dados”, destacam.
Na prática, a plataforma conduz o usuário por um fluxo estruturado que permite mapear atividades com dados pessoais, avaliar riscos com critérios objetivos e gerar automaticamente um relatório técnico — essencial em auditorias, contratos e processos de due diligence.
O sistema também opera diretamente com responsáveis pelas empresas e com escritórios que atendem esses clientes, ampliando a governança sem aumentar a complexidade.
O movimento reflete uma mudança mais ampla: a LGPD deixa de ser apenas um tema jurídico e passa a integrar a estratégia de negócios. Isso se evidencia em processos de investimento, nos quais a ausência de documentação estruturada levanta questionamentos sobre a maturidade da empresa.
A tendência deve se intensificar com o avanço das fiscalizações. A ANPD já sinaliza maior rigor na aplicação da lei, incluindo sanções de alto valor, o que eleva o nível de atenção das empresas.
Apesar disso, o cenário ainda é desigual. Pequenas e médias empresas, que representam a maior parte do mercado brasileiro, enfrentam barreiras como falta de equipe especializada e limitação de recursos.
É nesse contexto que surgem soluções baseadas em tecnologia, que buscam transformar a análise de risco em um processo contínuo, acessível e documentado.
Desenvolvida com princípios de Privacy by Design, a plataforma não armazena dados pessoais de titulares e opera com informações descritivas, priorizando controle e redução de exposição — aspecto cada vez mais sensível diante do aumento de incidentes de segurança.
Os empresários explicam que a inspiração veio da Europa, cuja legislação serviu de base para o modelo brasileiro.
“Ao entender que a ANPD segue diretrizes semelhantes às europeias, buscamos no mercado internacional uma solução que atendesse essa demanda no Brasil, com o diferencial de ser totalmente online e mais ágil”, afirmam.
Para eles, o mercado caminha para um novo estágio, no qual a governança de dados será cada vez mais exigida, não apenas por reguladores, mas pelo próprio ambiente de negócios.
“A proteção de dados tende a se consolidar como indicador de organização e confiabilidade. Empresas que demonstram isso com clareza saem na frente”, concluem.