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Sustentabilidade

BMW recicla até 51% de materiais de carros antigos para novos

Iniciativa impulsiona o reaproveitamento de metais na produção automotiva e otimiza a economia circular da montadora

12/08/2026 08h30

Foto: BMW - Divulgação

O Grupo BMW (BMW, Mini, Rolls-Royce e BMW Motorrad) provou que é tecnicamente viável fechar o ciclo de vida dos veículos ainda em escala industrial. O projeto de pesquisa "Car2Car" conseguiu recuperar peças de carros em fim de vida útil e transformá-las em materiais de alta qualidade para a produção de novos automóveis, elevando a taxa geral de reaproveitamento do sistema de 6% para 51%.

A "taxa Car2Car", como foi definida no estudo, representa a porcentagem de materiais de um carro descartado que pode ser recuperada com qualidade suficiente para retornar a novas aplicações industriais. O avanço foi alcançado por meio da adoção de tecnologias de pré-triagem aprimoradas, processos de trituração modificados e sistemas de classificação baseados em sensores "superprecisos" para separar fluxos de materiais.

O estudo foi conduzido sem a necessidade de desmontagens extremas, limitando-se apenas à desmontagem obrigatória, que já é padrão no mercado antes da reciclagem.

O salto nos metais

Os testes envolveram uma frota de 433 veículos em fim de vida de 60 modelos diferentes da BMW. O ganho mais expressivo nos índices de recuperação ocorreu no segmento de metais, um setor crucial para a descarbonização e barateamento da indústria.

Com as rotas de processamento da iniciativa Car2Car, as taxas de aproveitamento saltaram significativamente:

  • Aço: de 1% para 81%.
  • Alumínio: de 23% para 52%.
  • Cobre: de 48% para 68%.

A evolução do aço foi o ponto central do projeto. Até então, as impurezas de cobre vindas de cabos e conectores dificultavam a reciclagem da sucata de veículos para a criação de aços automotivos de alta qualidade. O projeto aplicou uma etapa extra de processamento capaz de reduzir essa contaminação de forma direcionada, garantindo uma sucata limpa que já teve inclusive um pedido de patente protocolado.

"No teste de campo realizado na fábrica do BMW Group em Leipzig, mais de 100.000 peças de série foram produzidas usando esse aço e instaladas em veículos, tornando os resultados do projeto tangíveis", explicou Hilke Schaer, gerente do projeto Car2Car no Grupo BMW.

O desafio do plástico e do vidro

Enquanto os metais encontram um fluxo de reaproveitamento robusto, a BMW aponta que plásticos e vidros ainda representam um grande desafio técnico. A variedade de polímeros, estruturas compostas complexas e os rigorosos requisitos de segurança automotiva dificultam a reciclagem desses itens em larga escala.

O relatório do consórcio deixa claro que a cadeia de plásticos precisará de inovações em separação e processamento para atingir o grau de pureza que as montadoras exigem para painéis e acabamentos internos.

Impacto estrutural e próximos passos

As descobertas do projeto não beneficiam apenas a BMW, mas oferecem uma base de dados estrutural para todo o mercado automotivo na adaptação às futuras exigências regulatórias europeias para veículos em fim de vida.

No entanto, o relatório alerta: para que esses 51% deixem de ser um projeto de pesquisa e se tornem o padrão global, o setor precisará de altos investimentos em infraestrutura de desmontagem, modelos de negócios viáveis para toda a cadeia de reciclagem e legislações que favoreçam a transparência e a retenção de matéria-prima no mercado produtivo.

"O Car2Car mostra que o potencial máximo da economia circular pode ser percebido quando toda a cadeia de valor é otimizada. Junto aos nossos parceiros, estamos usando essas descobertas para desenvolver novos modelos de negócios e processos que combinem benefícios ambientais e econômicos", concluiu Alexander Efthimiou, vice-presidente sênior de desenvolvimento de negócios do BMW Group.

Fonte: CNN Brasil