10/01/2026 09h20
Foto: Ministério do Trabalho - Divulgação
O cenário dos direitos humanos no Brasil em 2025 foi marcado por um dado alarmante: o país registrou o maior volume de denúncias de trabalho escravo e condições análogas à escravidão de toda a sua história. De acordo com o balanço do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), foram contabilizadas 4.515 denúncias ao longo do ano passado, o que representa um salto de 14% em comparação a 2024, período que também já havia estabelecido um recorde anterior com 3.959 registros.
O início do ano passado já sinalizava a gravidade da situação, uma vez que janeiro de 2025 se tornou o mês com o maior número de queixas desde a criação do Disque 100, em 2011, somando 477 notificações em apenas 30 dias.
As denúncias abrangem diversas violações graves, desde o trabalho escravo infantil até situações de exploração extrema de adultos. Conforme a legislação brasileira, os casos relatados envolvem características clássicas desse crime, como a submissão a jornadas exaustivas, condições degradantes de moradia e higiene, restrição de liberdade de locomoção e a servidão por dívida, onde o trabalhador é impedido de deixar o local por supostos débitos com o empregador.
Especialistas e órgãos de fiscalização atribuem o aumento dos números a uma combinação de fatores, incluindo o fortalecimento dos canais de denúncia, a maior conscientização da sociedade e o aumento das operações de resgate.
Como denunciar?
O Disque 100 funciona diariamente, 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. As ligações podem ser feitas de todo o Brasil, de forma gratuita, a partir de qualquer telefone fixo ou móvel.
Qualquer pessoa pode registrar denúncia sobre violações de direitos humanos das quais seja vítima ou tenha conhecimento.
A partir disso, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania recebe, analisa e encaminha as denúncias aos órgãos de proteção e responsabilização.
O governo também mantém um canal específico para denúncias de trabalho análogo à escravidão: o Sistema Ipê, disponível na internet. O denunciante não precisa se identificar e deve inserir o maior número possível de informações.