10/03/2026 10h10
Foto: Divulgação
O mercado brasileiro de veículos eletrificados começou 2026 em ritmo acelerado e pode terminar o ano em um novo patamar histórico. A previsão oficial da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) aponta para mais de 280 mil emplacamentos ao longo do ano, mas o desempenho registrado nos primeiros meses indica que o volume total pode se aproximar da marca de 300 mil unidades.
Os dados mais recentes reforçam essa tendência. Em fevereiro, foram 24.885 veículos eletrificados leves emplacados no Brasil, número 92% superior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando o mercado somou 12.988 unidades. Na comparação com janeiro deste ano, que havia registrado 23.706 emplacamentos, o crescimento foi de cerca de 5%.
Com isso, a participação de mercado dos eletrificados atingiu 14% das vendas totais de veículos leves, que somaram 176.797 unidades em fevereiro. Um ano antes, essa fatia era de apenas 7%. Nos meses mais recentes, o avanço foi consistente. O market share chegou a 9% em novembro de 2025, subiu para 13% em dezembro, alcançou 15% em janeiro de 2026 e agora ficou em 14%.
No acumulado do primeiro bimestre, o mercado brasileiro registrou 48.591 veículos eletrificados vendidos, quase o dobro do volume registrado no mesmo período do ano passado, quando foram comercializadas 25.544 unidades. O resultado reforça a expectativa de que 2026 se consolide como o melhor ano da história da eletromobilidade no país.
Para o presidente da entidade, Ricardo Bastos, o desempenho recente confirma a mudança estrutural em curso no setor automotivo. Segundo ele, a eletrificação vem ganhando espaço de forma consistente nas decisões de compra dos consumidores brasileiros.
Entre as diferentes tecnologias disponíveis, os veículos totalmente elétricos (BEV) e os híbridos flex não plug-in (HEV flex) foram os que apresentaram maior crescimento recente. Em fevereiro, os modelos 100% elétricos representaram 35% das vendas de eletrificados, com 8.703 unidades comercializadas. Em janeiro, haviam sido 8.250.
Os híbridos flex também avançaram. Foram 3.960 unidades vendidas em fevereiro, crescimento de 15% em relação às 3.457 registradas no mês anterior.
Parte desse avanço está relacionada aos incentivos fiscais estaduais. Benefícios tributários em estados como São Paulo, Distrito Federal e Rio Grande do Sul têm contribuído para ampliar a competitividade de veículos eletrificados, reduzindo custos de propriedade e estimulando a adoção dessas tecnologias.
Outro fator que pode impulsionar o mercado ao longo de 2026 é a onda de lançamentos prevista para o país. Montadoras chinesas continuam ampliando rapidamente sua presença no Brasil, enquanto fabricantes tradicionais aceleram a transição para modelos híbridos em suas linhas.
Ao mesmo tempo, a indústria começa a estruturar uma base produtiva local para acompanhar o avanço da demanda. A BYD já iniciou a montagem de veículos em sua fábrica de Camaçari, enquanto a GWM também produz híbridos no país desde o ano passado na planta de Iracemápolis. A BYD, inclusive, apresentou uma meta ambiciosa de 250 mil veículos vendidos no Brasil em 2026, número que sozinho já se aproxima da projeção da Associação Brasileira do Veículo Elétrico para o mercado total.
Já a GWM confirmou planos de expansão industrial com uma segunda fábrica prevista para o Espírito Santo a partir de 2027, enquanto a Geely confirmou o início de produção local nos próximos meses, movimento que reforça a expectativa de crescimento da produção nacional de veículos eletrificados nos próximos anos.
300 mil eletrificados
Se o ritmo de expansão observado no início de 2026 se mantiver ao longo do ano, o mercado brasileiro poderá não apenas superar com folga o recorde de 224 mil eletrificados vendidos em 2025, mas também se aproximar da marca simbólica de 300 mil veículos.
O cenário indica que a eletrificação caminha rapidamente para se consolidar como o segmento mais dinâmico da indústria automotiva nacional. Isso não significa, porém, que o mercado total de veículos vá crescer no mesmo ritmo. Na prática, os eletrificados tendem a substituir gradualmente os modelos tradicionais exclusivamente a combustão, à medida que novas ofertas chegam ao mercado e as montadoras aceleram sua estratégia de eletrificação.
Fonte: Inside Evs