25/09/2026 08h23
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O Brasil avança no uso da inteligência artificial (IA), migrando da fase de testes para a aplicação prática em empresas e no setor público. Com mais da metade da população utilizando a tecnologia diariamente, o país já ocupa a posição de segundo maior usuário de IA no mundo.
O uso estratégico da ferramenta, aliado à digitalização na administração pública, tem potencial para impulsionar o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 4%. No entanto, o rápido avanço expõe um descompasso: a adoção cresce enquanto as organizações enfrentam desafios de governança e cibersegurança.
Liderança em números na América Latina
Dados do estudo Work: In Progress, do Google, apresentados no Google Summit Brasil 2026, confirmam o pioneirismo do Brasil. No país, 71% dos profissionais já trabalham com assistentes de IA, contra 63% na média regional. O uso de agentes autônomos também é maior, com 59% de adesão local ante 54% na América Latina.
No ambiente corporativo, 17% das empresas brasileiras alcançaram um estágio consolidado na adoção de agentes de IA, superando os 12% da região. Apesar do progresso, a expansão revela um risco: 38% dos trabalhadores utilizam IA pessoal sem homologação da empresa, prática conhecida como Shadow AI.
Desse grupo, 59% acreditam que a prática oferece risco baixo ou nulo. A busca por facilidade e usabilidade (39%), a incompatibilidade de sistemas (29%) e a falta de oferta interna (22%) são os principais motivos para o uso de ferramentas próprias.
IA em ação: do campo ao futebol
A tecnologia já entrega resultados concretos em diversos setores. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) lançou a "JoIA", uma assistente virtual no WhatsApp que ajuda produtores com legislação, clima e identificação de pragas.
Na educação, a Secretaria de Educação do Paraná desenvolveu a plataforma "Redação no Paraná". A ferramenta realiza a correção gramatical de textos para 850 mil alunos, liberando professores para a avaliação subjetiva e rendendo ao Brasil um prêmio da Unesco.
No mercado, a Care Plus usa IA para revisar códigos de software, e O Boticário criou em 14 dias uma plataforma para uma campanha que atendeu quase 200 mil usuários. Já a CBF adotou a IA conversacional para cruzar dados táticos e de saúde de atletas das seleções.
Segurança e infraestrutura para o futuro
A expansão da IA impõe desafios de defesa digital, com ataques que podem ocorrer em apenas 20 segundos. Segundo Marcello Zillo, líder de segurança do Google Cloud na América Latina, "investidas cibernéticas atuais ultrapassam a capacidade de resposta humana, exigindo uma cibersegurança redefinida para a era da IA agêntica".
Para sustentar a demanda, o Google Cloud anunciou que vai dobrar sua infraestrutura técnica no Brasil. O investimento inclui a expansão da capacidade computacional e a residência local de dados no país para o Gemini Enterprise a partir de 15 de outubro.
A insegurança profissional afeta 62% dos trabalhadores, que temem ser substituídos pela IA, e 75% relatam não saber como utilizar melhor as ferramentas. Para responder a essa necessidade, foram anunciados 10.000 vouchers gratuitos de certificação e o treinamento "Capacita Mais", em mais de 150 universidades.
Fonte: Correio Braziliense