27/07/2026 14h40
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A percepção de que metade do salário é consumido apenas com alimentação deixou de ser impressão e passou a refletir a realidade de muitos brasileiros.
Principal indicador da inflação no Brasil, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumulou alta de 3,82% nos preços de Alimentos e Bebidas nos últimos 12 meses, o que também foi sentido no custo da cesta básica.
O valor médio do conjunto aumentou 8,69% nas 27 capitais brasileiras em junho na comparação com o mesmo período do ano anterior, chegando a R$ 779,95, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
Na prática, isso significa que a cesta básica consome, em média, 52,02% do salário-mínimo líquido. Para adquiri-la, um trabalhador precisa dedicar 105 horas e 51 minutos de trabalho por mês, considerando uma jornada de oito horas diárias em escala 5x2.
Com base nesses dados, Conab e Dieese estimam que o salário mínimo necessário para garantir a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 8.110,92 — cerca de cinco vezes o piso nacional atual de R$ 1.621.
O valor supera não apenas o mínimo vigente, mas também o rendimento médio nacional apurado pela última Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Segundo a pesquisa, o rendimento médio dos brasileiros ocupados com 14 anos ou mais é de R$ 3.726. Ou seja, o trabalhador recebe, em média, quase R$ 4,4 mil a menos do que o salário mínimo considerado necessário pelas duas instituições.
Em junho de 2026, São Paulo registrou a cesta básica mais cara entre as capitais brasileiras: o valor médio chegou a R$ 965,47, alta de 9,37% em 12 meses. Desse modo, na capital paulista, a cesta básica consome 64,39% do salário mínimo líquido, exigindo 131 horas e 2 minutos de trabalho para sua compra.
Apesar disso, SP não apresentou a maior alta percentual do período. Capital do Mato Grosso, Cuiabá lidera com aumento de 14,71% nos últimos 12 meses. A cesta básica no município passou a custar R$ 937,93, valor R$ 27,54 inferior ao registrado da maior metrópole da América Latina.
Na outra ponta, São Luís, no Maranhão, foi a única capital a registrar queda no preço da cesta básica no período, com recuo de 0,09%. O custo médio ficou em R$ 654,73.
Já Aracaju, capital de Sergipe, manteve a cesta básica mais barata do país, apesar da alta de 13,12% em 12 meses. O conjunto de alimentos passou a custar R$ 630,40, quase R$ 335 a menos do que em São Paulo.
Na capital sergipana, são necessárias 85 horas e 34 minutos de trabalho para adquirir a cesta básica — cerca de 45 horas e meia a menos do que em São Paulo, o equivalente a quase dois dias de jornada de trabalho.
Ranking de horas trabalhadas para adquirir a cesta básica
Na relação mês a mês, de maio a junho, o preço pago pelo conjunto dos alimentos básicos diminuiu em 10 capitais brasileiras e aumentou em outras 17.
Segundo a análise, os aumentos mais importantes ocorreram em Boa Vista (3,28%), Palmas (3,01%), Rio Branco (2,2%) e Porto Alegre (2,18%). Já entre as quedas, das 10 capitais em que foram verificadas, 7 delas ficam na região Nordeste.
Fonte: CNN Brasil