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Gestão Pública

Começa a Assembleia Geral da ONU 2026, em Nova York

O Brasil abre tradicionalmente o Debate Geral desde 1955

22/09/2026 09h43

 Foto: Ricardo Stuckert - PR

A 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas reúne, a partir desta terça-feira (22), chefes de Estado e de governo dos 193 países-membros da organização para o Debate Geral, realizado na sede da ONU, em Nova York. A programação segue até 28 de setembro e terá como tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.

O encontro é um dos principais momentos do calendário diplomático internacional. Durante os discursos, os representantes apresentam as prioridades de seus governos e abordam questões internacionais. Cada país tem, em princípio, 15 minutos para falar, com tradução simultânea para árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo.

Brasil, primeiro na tribuna

Por tradição, o Brasil é o primeiro país a assumir a tribuna da Assembleia Geral, seguido pelos Estados Unidos, anfitrião da sede das Nações Unidas.

Segundo a Assembleia Geral, este ano estão sendo esperados mais de 70 chefes de Estado e 45 de governos, 50 ministros e 11 vice-presidentes além de um príncipe-herdeiro. Ao todo, a ONU organizará 166 eventos paralelos e seis encontros de alto nível. 

Os Estados-membros fizeram 1.553 solicitações de reuniões para suas delegações, que são realizadas em cabines temporárias instaladas na ONU somente para encontros bilaterais.

Ao todo, foram emitidas mais de 18 mil identificações para integrantes das delegações dos países.

O novo presidente da Assembleia Geral, Khalilur Rahman, lembra que este é um momento ímpar na história da ONU quando a organização atravessa uma “crise de confiança” e “restaurar esta confiança” será sua missão no mandato.  Para ele, é preciso ouvir o que os líderes internacionais têm a dizer.

Países de língua portuguesa

Este ano, a Assembleia escolheu temas como subida do nível do mar, combate ao racismo, preparação para pandemias, direito ao desenvolvimento, ação climática e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável como encontros de alto nível.

Em sua conta numa rede social, o secretário-geral António Guterres declarou aos líderes, que desembarcam em Nova Iorque para a Assembleia Geral, que o mundo precisa de diálogo internacional, cooperação e ação. 

Dentre os países de língua portuguesa, Angola também deverá discursar nesta terça-feira como último país da parte da manhã.

Na quarta-feira, assumem a tribuna Timor-Leste e Moçambique. Quinta, será a vez de Portugal. Guiné-Bissau está marcada para sexta-feira e Cabo Verde para o sábado.

Inteligência artificial e candidatos a líder da ONU

Um dos focos dos líderes internacionais é ainda o uso da inteligência artificial e o futuro da tecnologia como instrumentos de apoio à humanidade.

Este é também o último ano do português António Guterres no cargo de secretário-geral das Nações Unidas. Em 1 de janeiro, começa o mandato de uma nova líder ou um novo líder da Casa. 

Como de praxe, os candidatos utilizam o momento da Assembleia Geral para fazer contatos, em plena campanha, com as delegações dos países-membros da ONU especialmente os 15 que formam o Conselho de Segurança que recomenda o nome para o posto de secretário-geral.

Agenda da Assembleia Geral
Entre os principais compromissos está, na quarta-feira (23), uma reunião de alto nível sobre ação climática e transição justa. O encontro ocorre dez anos após o Acordo de Paris e reunirá líderes de economias desenvolvidas e em desenvolvimento, países vulneráveis e grandes produtores e consumidores de energia. A discussão deve abordar a transição energética, a segurança energética, a justiça climática e medidas para proteger as populações diante do agravamento da crise climática.

Ainda no dia 23, haverá uma reunião para marcar os 40 anos da Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento, aprovada pela Assembleia Geral em 1986.

Na quinta-feira (24), o foco será a elevação do nível do mar. A reunião pretende discutir a ameaça para países insulares e áreas costeiras de baixa altitude, além de buscar compromissos e formas de ampliar a cooperação internacional.

Já na sexta-feira (25), uma reunião de alto nível será dedicada à prevenção, preparação e resposta a pandemias. O encontro pretende mobilizar governos em torno da preparação para futuras pandemias e emergências de saúde pública, com ênfase nos princípios de equidade e solidariedade.

A programação será retomada na segunda-feira (28), com uma reunião para marcar os 25 anos da Declaração e do Programa de Ação de Durban, voltada ao combate ao racismo, à discriminação racial, à xenofobia e à intolerância.

No dia 29 de setembro, já fora do período do Debate Geral, está prevista uma reunião plenária de alto nível pelo Dia Internacional pela Eliminação Total das Armas Nucleares. O desarmamento nuclear é apontado pela ONU como uma de suas prioridades na área de desarmamento.