Artigo

Comunicação Organizacional

Mauricio Prieto

23/07/2021 06h13

Foto: Divulgação

Em épocas de crise (haverá ainda épocas sem crise?) é comum que os colaboradores se movimentem em busca de mais informações, de maneira a se sentirem mais confortáveis em relação às incertezas.

O problema é que, justamente nessas ocasiões, muitas organizações, talvez por insegurança, acabam por reduzir a comunicação interna. Evidentemente, isso acaba por aumentar a ansiedade dos empregados e, por extensão, os conflitos.

Com mais razão em equipes trabalhando de forma remota, uma vez que a falta de proximidade pode tanto mascarar necessidades como exacerbar divergências, o que amplifica o problema.

Assim, em épocas de crise a organização deve ter à disposição líderes proativos na tarefa de comunicar mais e melhor, com a intenção de atenuar o desconforto da equipe.

Mas proatividade, informação de qualidade e em quantidade não são suficientes. Além do quanto, o que e quando informar, é importante saber como fazê-lo. Por outro lado, entender como se comporta o receptor da comunicação facilita o desempenho da tarefa.

Descreveremos aqui alguns estilos de comunicação, com o intuito de se entender a diferença entre eles e auxiliar na avaliação dos colaboradores, possibilitando tanto a seleção do melhor transmissor como da melhor abordagem do receptor.

Comunicador passivo

Tem dificuldade de colocar suas necessidades e defender suas posições. Teme o conflito e, por isso, não se expõe nem assume a dianteira numa discussão. Pouco expansivo, pode mudar de opinião para não entrar em embates.

A abordagem adequada é proporcionar alternativas de canais e individualizar a comunicação, para que se dê de forma reservada.

Comunicador agressivo

Confiante e expansivo, expõe suas opiniões objetivamente. No entanto, essa confiança pode se traduzir na tentativa de monopolizar o tempo da conversa, interrupção na participação alheia, além de desconsideração e minimização das opiniões dos demais.

Neste caso, a orientação é impor limites, tanto lembrando da saudável alternância na exposição de opiniões e divisão do tempo como na neutralização de eventuais ofensas a suscetibilidades.

Comunicador passivo-agressivo

Este estilo é marcado pela ambiguidade tanto de palavras como de ações. Demonstra empatia com todos, menos com quem esteja discutindo no momento.

Tenta resolver conflitos lançando mão do envolvimento de terceiros, sensibilizando-os por meio do desabafo sobre como a situação o incomoda.

A receita aqui é tentar redirecionar a ação do passivo-agressivo para o real oponente na discussão, propondo a interação mais direta, além de encorajar os demais a fazer o mesmo.

Comunicador assertivo

Este é o estilo de quem tem facilidade na exposição direta de ideias, respeita a opinião alheia e é capaz de ceder o tempo para que os outros também dele usufruam.

Fica claro que este é o estilo ideal, tanto para quem transmite como para quem recebe informação. E que o comunicador assertivo é o mais apto para ajudar a melhorar o desempenho da equipe e trazer resultados positivos para a organização.

Sendo assim, vamos observar com mais atenção este tipo de condução de comunicação, no sentido de reunir elementos que permitam formar um comunicador assertivo.

Conforme explica a doutora em Psicologia Cristalle Sese, em artigo no site GoodTherapy, o sujeito assertivo “pede o que precisa, fala abertamente sobre o que quer e reconhece quando alguém está se aproveitando de si. Pode abordar as coisas que faz com confiança e causar um impacto direto no ambiente. Mas isso não é fácil para todos”.

Segundo ela, “não conseguir falar no trabalho pode ter consequências negativas duradouras. Isso pode causar estresse, esgotamento ou deixá-lo quase invisível em um ambiente onde promoções e aumentos dependem da visibilidade”.

Afirma ainda que tanto aprender a se tratar com respeito como desenvolver habilidades de comunicação são componentes importantes para se tornar mais assertivo e elenca seis passos para tal.

Um resumo:

- Reconhecer seu valor: evitar a armadilha de atribuir seus fracassos exclusivamente a falhas pessoais e seus sucessos à sorte, o que contribui para potencializar a sensação de inutilidade.

- Conhecer seus direitos: absorver toda a informação disponível sobre o que rege e regula o ambiente de trabalho, adequando expectativas e observando limites, de forma a poder exercer a assertividade de forma ética e responsável.

- Conhecer seus limites: aceitar tanto os físicos como os de disponibilidade de tempo uma vez que, ao extrapolá-los, estresse e esgotamento são consequências diretas e dificultam o bom desempenho da comunicação.

- Preparação e prática: imaginar situações desconfortáveis ou assustadoras que podem se apresentar e ensaiar qual seria a forma de comunicação mais apropriada para o momento.

- Aprender a diferença entre assertividade e agressividade: ser objetivo, direto e honesto, valorizando suas ideias e sentimentos, sem prejudicar outras pessoas é muito diferente de assediar moralmente ou humilhar.

- Manter-se em desenvolvimento: estar conectado com seus conhecimentos e habilidades, além de exercitar a paciência consigo mesmo. Sempre haverá situações desafiadoras para uma comunicação direta e assertiva, mas a confiança em si mesmo e em suas qualidades é primordial para aplicá-la.

Está aberta a temporada de caça ao comunicador assertivo!

Mauricio Prieto é sócio diretor da Synerhgon, empresa de consultoria multidisciplinar com foco no resultado. [email protected]

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