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Transporte Aquaviário

Conflito no Irã fecha Estreito de Ormuz e afeta tráfego marítimo

Maersk, Hapag-Lloyd e CMA CGM estão redirecionando os navios ao redor da África

02/03/2026 11h29

Foto: Divulgação

A operação militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e as represálias de Teerã estão perturbando o tráfego marítimo mundial, sobretudo de produtos petroleiros. No entanto, a imobilização de navios no entorno do Golfo e as restrições para navegar pelo Estreito de Ormuz também representam importantes impactos para setores muito diversos além dos hidrocarbonetos

O Irã anunciou no sábado (28) o fechamento do Estreito de Ormuz, após a confirmação da morte do líder supremo Ali Khamenei. A estreita passagem é por onde passa cerca de um quinto do consumo global de petróleo.

Rotas marítimas afetadas

As empresas de transporte marítimo Maersk, Hapag-Lloyd e CMA CGM estão redirecionando os navios ao redor da África, longe do Canal de Suez e do Estreito de Bab el-Mandeb.

As seguradoras elevaram fortemente suas tarifas para navios que atravessam o Oriente Médio e até cancelaram totalmente sua cobertura, como no caso da escandinava Skuld.

Nessas condições, navegar pelo Golfo torna-se proibitivo ou impossível para cargueiros. Os navios de bandeira francesa ou pertencentes a empresas francesas bloqueados “dentro” do Golfo são 60, segundo a Armateurs de France.

O grupo alemão de transporte marítimo Hapag-Lloyd disse em um comunicado separado que estava redirecionando seu serviço de transporte de contêineres IMX, que conecta a Índia e o Oriente Médio ao Mediterrâneo, ao redor do sul da África.

Acrescentou que voltaria a dar prioridade à rota assim que a situação de segurança permitisse o trânsito.

Sobretaxa de risco de guerra

A Hapag-Lloyd informou que aplicaria uma sobretaxa de risco de guerra para cargas de e para o Alto Golfo, o Golfo Árabe e o Golfo Pérsico a partir de 2 de março.

A CMA CGM também anunciou que aplicaria uma sobretaxa de conflito de emergência para cargas de e para o Iraque, Bahrein, Kuwait, Iêmen, Catar, Omã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Jordânia, Djibuti, Sudão e Eritreia, bem como para o porto de Ain Sokhna, no Mar Vermelho.

A Maersk e a Hapag-Lloyd anunciaram que iriam suspender todas as travessias de navios no Estreito de Ormuz até novo aviso.

A Maersk afirmou que continuava a aceitar cargas para o Oriente Médio.

A Mediterranean Shipping Company anunciou que estava suspendendo todas as reservas de carga para o Oriente Médio até novo aviso. Ela informou que havia instruído todos os navios na região do Golfo, e aqueles a caminho da área, a seguirem para áreas de abrigo seguras até novo aviso. As reservas serão retomadas assim que a situação de segurança melhorar, acrescentou.

O grupo francês de transporte marítimo CMA CGM disse que havia instruído seus navios dentro ou a caminho do Golfo a se dirigirem para abrigos. A empresa disse que estava suspendendo as viagens pelo Canal de Suez e redirecionando-as para o Cabo da Boa Esperança.

Fertilizantes em risco

“Quase 33% dos fertilizantes mundiais, incluindo enxofre e amônia, transitam pelo Estreito de Ormuz”, um corredor estreito delimitado pelo Irã e por Omã, segundo a consultoria de análise Kpler.

Carregados em navios no Catar, na Arábia Saudita ou nos Emirados Árabes Unidos, esses fertilizantes têm múltiplos destinos: além do Brasil, Índia, China e países africanos.

“Não existe uma alternativa viável” à navegação pelo Golfo, “as rotas terrestres são limitadas pela capacidade dos oleodutos e dos caminhões”, indicou a Kpler.

Como grande parte dos fertilizantes é fabricada com gás ou petróleo, a forte alta dos hidrocarbonetos provocada pela guerra no Irã ameaça elevar os preços dos fertilizantes.

Produção de plásticos

“A escalada do conflito no Oriente Médio ameaça um importante centro de exportação de polímeros”, destaca a empresa Argus Media.

Segundo seus dados, a região produz até 23 milhões de toneladas anuais de polietileno, um dos plásticos mais utilizados no mundo, o que representa 15% da produção mundial.

No domingo (1º), o porto de Jebel Ali nos Emirados Árabes Unidos, fundamental para as exportações desse derivado do petróleo, foi atingido por um projétil. Um incêndio foi registrado em um dos píeres do porto, informou a empresa de comunicação de Dubai.

Outra instalação portuária, desta vez no Kuwait, teve que suspender temporariamente suas atividades após a queda de destroços nas proximidades, segundo a imprensa local.

Irã é grande comprador de milho do Brasil

As condições de navegação também estão afetando a chegada ao Oriente Médio de navios carregados.

O desafio é significativo: “O Oriente Médio é uma região estruturalmente dependente das importações de alimentos”, afirmam analistas da XP Investments.

O Irã, por exemplo, importa grandes quantidades de milho brasileiro.

Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, os Emirados Árabes Unidos compraram produtos agrícolas americanos no valor de 1,5 bilhão de dólares (R$ 7,72 bilhões).

“Uma grande parte” das importações transita pelo estreito de Ormuz “ou em suas proximidades”, segundo especialistas da XP Investments.

Durante a operação militar americana anterior no Irã, em junho de 2025, carregamentos inteiros de arroz com destino à região ficaram retidos na Índia.

Fonte: AFP e IstoÉ Dinheiro