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Transporte Aéreo

Estudo revela alta de até 328% no preço das passagens aéreas

Segundo levantamento da CNC, a tarifa aérea média subiu 118% em termos reais desde a pandemia

30/03/2025 07h59

Foto: Divulgação

Com passagens, em média, 118% mais caras e aumentos tarifários que chegam a 328% na Região Norte, o sistema aéreo brasileiro enfrenta um cenário de concentração, baixa concorrência e alto custo operacional. O alerta foi feito durante o evento Desafios da Aviação Regional e os Impactos para o Desenvolvimento do País, realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em Brasília.

Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, a aviação regional deve ser tratada como uma ferramenta essencial de integração nacional, e não como um serviço de luxo, especialmente em regiões como o Norte e o Centro-Oeste, onde não há alternativas viárias seguras ou viáveis.

“Não temos rodovias em muitos trechos, e as que existem estão em péssimo estado. A aviação regional é, muitas vezes, a única via de acesso. Ela não pode ser um luxo; precisa ser tratada como uma questão de integração nacional. Por isso, o Brasil não pode continuar dependendo de duas ou três empresas”, afirmou.

Tadros também demonstrou preocupação com a possível fusão entre Azul e Gol, que poderia agravar ainda mais a concentração do mercado. “Corremos o risco de ter apenas duas companhias operando em todo o território. Isso é insustentável”, completou.

Preço das passagens

Segundo levantamento da CNC, a tarifa aérea média subiu 118% em termos reais desde a pandemia. Esse aumento foi ainda mais expressivo em algumas regiões, como o Norte, onde a alta chegou a 328%. No Nordeste, a elevação foi de 134%, e no Centro-Oeste, de 130%, com dados de 2025.

A análise da CNC aponta que apenas três companhias aéreas dominam 99,8% do mercado nacional, reduzindo drasticamente a concorrência. Como resultado, os consumidores acabam pagando mais caro, mesmo diante de uma demanda aquecida.

“Estamos diante de um mercado altamente concentrado e com um comportamento atípico: a demanda continua forte, mesmo com o aumento dos preços. Isso mostra o quanto a aviação é essencial no Brasil — mas também o quanto falta concorrência real”, avaliou Felipe Tavares, economista-chefe da CNC e autor do estudo.

Estamos pagando mais caro porque o consumidor não tem escolha. Há uma distorção de mercado que prejudica o turismo, o comércio e a mobilidade no País”, explicou Tavares.

Grupo técnico

Diante da gravidade dos dados apresentados, a CNC propôs a criação de um grupo de trabalho para elaborar soluções estruturantes. A proposta, articulada com a Anac e representantes do Senado e da Câmara dos Deputados, inclui medidas como:

  • A abertura do mercado brasileiro para a entrada de novas companhias aéreas.
  • Incentivos a investimentos em infraestrutura nos aeroportos regionais.
  • A regulamentação de subsídios ao querosene de aviação (QAV), especialmente nas regiões da Amazônia Legal.
  • A isenção de tarifas aeroportuárias em rotas estratégicas.

Outra frente de atuação será a formulação de diretrizes legais para reduzir a judicialização excessiva do setor, que hoje impõe um custo de cerca de R$ 1 bilhão por ano às companhias aéreas. A ideia é melhorar a previsibilidade jurídica, reduzir litígios e atrair novos operadores ao mercado brasileiro.

“Precisamos transformar esse debate em medidas concretas. Vamos construir uma proposta com a participação de todos os setores, incluindo as companhias aéreas”, disse Alexandre Sampaio, diretor da CNC e coordenador do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur).

O representante da Casa Civil, Adailton Dias, confirmou o apoio do governo federal à iniciativa e destacou que a equipe técnica do Executivo está à disposição para integrar o grupo de trabalho e contribuir com soluções práticas.