Utilizamos cookies de terceiros para fins analíticos e para lhe mostrar publicidade personalizada com base num perfil elaborado a partir dos seus hábitos de navegação. Pode obter mais informação e configurar suas preferências AQUI.

Transporte Terrestre

FCA não bate meta de transporte em ferrovias

A ferrovia manteve trechos ferroviários ociosos, o que aumenta custos logísticos e limita o escoamento de cargas no Brasil

13/04/2026 11h33

Foto: Divulgação

A Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) não cumpriu a meta de transporte em 2025 e deixou parte relevante da sua malha ferroviária sem uso, aumentando, assim, o custo logístico e limitando o escoamento de cargas no Brasil. O desempenho abaixo do mínimo exigido ocorre às vésperas da renovação da concessão daquela que é considerada a maior malha ferroviária concessionada do Brasil, afetando diretamente setores como agronegócio, mineração e indústria.

A falha no cumprimento da meta vai além de um problema regulatório. Ela indica que a infraestrutura ferroviária disponível não está sendo plenamente utilizada. O que, consequentemente, reduz a eficiência do sistema logístico e força empresas a recorrerem a alternativas mais caras.

Em 2025, a FCA transportou 12,6 bilhões de toneladas por quilômetro útil (TKU), abaixo da meta de 14,77 bilhões. O resultado representa 85% do previsto, quando o mínimo exigido para cumprimento seria de 95%.

Trechos com baixa operação encarecem o frete

A análise da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) mostra que o problema não é pontual. Isso porque apenas dois de oito corredores ferroviários avaliados atingiram níveis próximos da meta de transporte.

Nos demais, a operação ficou muito abaixo do esperado. O corredor Centro-Oeste, por exemplo, atingiu apenas 24% da meta. Já o trecho Minas–Bahia ficou em 53%.

Esses números indicam que regiões com potencial de escoamento continuam com baixa oferta ferroviária. Quando a ferrovia não absorve a demanda, o transporte migra para caminhões, que têm custo maior por tonelada e maior exposição a variações de combustível.

O efeito direto aparece no preço do frete, que tende a subir e impactar toda a cadeia produtiva.

Malha existe, mas não é utilizada

A FCA possui cerca de 7.000 quilômetros de trilhos sob concessão, mas apenas aproximadamente 4.000 km são efetivamente operados. O restante da malha permanece com uso reduzido ou praticamente abandonado.

Esse cenário cria um desequilíbrio: há infraestrutura disponível, mas sem geração de volume suficiente para torná-la eficiente.

Sem escala, a ferrovia perde competitividade e não bate metas frente ao transporte rodoviário. E, sem competitividade, novos contratos deixam de migrar para o modal ferroviário, mantendo o ciclo de baixa utilização.

A exigência de metas em TKU foi criada justamente para evitar esse comportamento, obrigando a concessionária a distribuir melhor o uso da malha.

FCA não cumpre meta de transporte, e impacto atinge agronegócio e indústria

A subutilização da ferrovia afeta diretamente setores que dependem de transporte em larga escala.

No agronegócio, a ferrovia reduz o custo de escoamento de grãos em longas distâncias. Quando essa alternativa não está disponível, produtores enfrentam fretes mais altos, o que reduz margem e competitividade.

Na indústria e na mineração, o problema também aparece na forma de custos maiores e menor previsibilidade logística.

O resultado é um efeito em cadeia: custos logísticos mais altos pressionam preços e reduzem a eficiência econômica, especialmente em regiões mais afastadas dos grandes centros.

Histórico mostra problema recorrente

O desempenho abaixo da meta não é isolado. Dados do Tribunal de Contas da União (TCU) indicam que a FCA descumpriu metas de transporte em pelo menos 12 anos entre 2003 e 2022.

Isso sugere um padrão persistente de subutilização da malha ferroviária.

A VLI Logística, responsável pela operação, atribui o resultado a fatores como dinâmica de mercado, condições climáticas e interferências externas, como vandalismo. A regulação permite considerar esses fatores, mas a ANTT avaliou que não houve comprovação suficiente de que eles expliquem o desempenho registrado.

Renovação da concessão amplia debate sobre metas de transporte da FCA

O contrato atual da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) vence em agosto, e a renovação por mais 30 anos está em fase final de negociação. O novo ciclo prevê cerca de R$ 24 bilhões em investimentos, além de R$ 10 bilhões em aporte adicional do governo federal.

O ponto central, porém, não é apenas o volume de recursos, mas a capacidade de transformar investimento em uso efetivo da malha.

Se a FCA continuar a não cumprir metas de transporte e a ferrovia continuar operando abaixo da capacidade, o país pode manter uma estrutura extensa, mas com impacto limitado na redução de custos logísticos.

A decisão sobre a renovação, portanto, envolve mais do que a continuidade do contrato. Ela define se a malha ferroviária será utilizada de forma mais eficiente ou se continuará operando abaixo do seu potencial econômico.

Fonte: Economic News Brasil