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Logística

Investimentos aumentam a capacidade portuária no Nordeste

Arco Norte deve concentrar metade da carga nos próximos anos

04/07/2026 09h55

Tecon Salvador - Foto: Divulgação

Investimentos bilionários previstos pelos portos nordestinos nos próximos anos devem fazer com que a movimentação de cargas no chamado Arco Norte (inclui portos da região Norte) se equipare, já em 2030, à do Arco Sul, responsável hoje por pouco mais de 64% da expedição total do país. Isso significa que, em quatro anos, o Arco Norte e o Arco Sul estarão dividindo em partes iguais toda a carga que passa por portos organizados (públicos) e terminais autorizados (privados) do país. No ano passado, os portos nordestinos movimentaram 329,7 milhões de toneladas, volume igual ao de 2024.

Alex Ávila, secretário Nacional de Portos, avalia que esse quadro transformará a região Nordeste num hub logístico internacional eficiente e competitivo. “O maior potencial de expansão portuária do país está no Arco Norte porque é lá onde temos as maiores áreas disponíveis para a construção de novos terminais, e é lá onde estão concentradas as maiores e principais hidrovias”, diz Ávila.

Com o Arco Norte impulsionado por esse cenário logístico, recursos públicos e privados para a modernização e construção de portos e terminais somam cifras bilionárias. O Porto de Suape (PE), por exemplo, está prestes a iniciar o maior ciclo de investimentos em infraestrutura portuária dos últimos anos. “Estamos perto de lançar um plano de investimentos e de arrendamentos que prevê cerca de R$ 2 bilhões em recursos públicos e privados destinados à ampliação da capacidade operacional do complexo, modernização de instalações existentes e atração de novos negócios”, diz Armando Monteiro Bisneto, diretor-presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape.

Metade desse montante será destinado à ampliação e modernização da infraestrutura. O plano contempla dragagem da área onde serão construídos dois novos cais, implantação de dois novos berços de atracação e requalificação de píeres de granéis líquidos. Outro R$ 1 bilhão será direcionado para projetos de arrendamento e investimentos privados em novas áreas operacionais do complexo, que, no ano passado, movimentou 24,3 milhões de toneladas. Para 2026, espera-se uma expansão, principalmente pelo desempenho do primeiro quadrimestre (8,85 milhões de toneladas, alta de 29,4% em relação ao mesmo período de 2025).

O Porto do Pecém (CE) também vive momento promissor e o maior ciclo de investimentos de sua história. Os aportes superam R$ 1,5 bilhão até 2028, de acordo com Max Quintino, presidente do Complexo do Pecém. Segundo ele, está prevista a construção de um píer para dar suporte ao projeto de uma nova usina térmica de R$ 5,5 bilhões, que movimentará cerca de 14 milhões de m3 de gás natural por dia. Também estão previstas a construção do píer de rebocadores, que reforçará o suporte operacional ao porto e a ampliação do Terminal de Múltiplas Utilidades e do píer 2, que receberão novos berços.

Também será implantado um sistema de “shore power”, que permitirá o fornecimento de energia elétrica diretamente aos navios, reduzindo emissões. “O Pecém será o primeiro porto do Brasil a oferecer esse serviço”, diz Quintino. Ele lembra ainda que o terminal de granéis líquidos e tancagem, com investimento estimado em R$ 610 milhões, está atualmente em fase de implantação, com início de operação previsto para 2027, o que deve ampliar a capacidade de armazenagem e movimentação de combustíveis e derivados.

Já os portos públicos baianos (Salvador, Aratu-Candeias e Ilhéus) devem receber este ano investimentos superiores a R$ 280 milhões, de acordo com Antonio Gobbo, presidente da Autoridade Portuária Federal da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba). Parte desses recursos está sendo direcionada para a ampliação do calado em Salvador para 17 metros de profundidade. Os recursos, próprios da Codeba, servirão também para obras de recuperação em Ilhéus, além de controles inteligentes de acesso aos portos.

Nos últimos três anos, os desembolsos da Codeba para infraestrutura, aquisição de novos equipamentos, sistemas e controles de acesso somaram mais de R$ 121 milhões, segundo Gobbo – isso sem considerar os investimentos de arrendatários. Segundo o executivo, empresas como CS Portos, Ultracargo e Grupo Maratá devem aportar este ano quase R$ 1,2 bilhão para intervenções nos terminais que operam.

A expectativa é que a movimentação nos portos públicos da Bahia aumente 7,7% neste ano, para 14 milhões de toneladas. O desempenho poderia ser maior se os sistemas de acesso logístico estivessem melhor qualificados. “São gargalos que precisam ser resolvidos”, diz Gobbo, ao se referir a deficiências nos sistemas rodoviário, ferroviário e hidroviário. Segundo ele, é por isso que a Codeba solicitou a delegação de operação da hidrovia do São Francisco, considerado eixo estratégico para o escoamento de cargas de 1.371 km entre Pirapora (MG), o polo de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE). Gobbo espera que o processo de transferência da hidrovia seja assinado até agosto.

Fonte: Valor Econômico