30/04/2026 08h45
Foto: Divulgação
A busca por renda recorrente no Brasil tem impulsionado o surgimento de novos modelos de investimento, especialmente aqueles com menor valor de entrada e maior liquidez. Nesse cenário, a locação de motocicletas começa a ganhar espaço como alternativa ao investimento tradicional em imóveis.
O movimento acompanha mudanças no comportamento econômico e no mercado de trabalho, especialmente com a expansão da economia de aplicativos, que aumentou significativamente a demanda por motos como ferramenta de geração de renda.
Dados da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla) mostram que o segmento de locação de motocicletas passou de 7.856 unidades em 2021 para 130.751 em 2026, o que representa um crescimento de 1.564% em cinco anos.
Ao mesmo tempo, o número de trabalhadores em plataformas digitais também avançou. Segundo o IBGE, o Brasil registrou 1,7 milhão de pessoas atuando por meio de aplicativos em 2024, sendo cerca de 485 mil no segmento de entregas.
Com isso, a motocicleta deixou de ser apenas um meio de transporte e passou a ser vista como um ativo produtivo, capaz de gerar renda mensal para quem investe na locação.
É nesse contexto que surge a Byker, startup brasileira que atua com locação de motos por meio de um modelo de franquias digitais.
A empresa conecta investidores a trabalhadores que utilizam a moto para atividades como entregas, assumindo toda a gestão operacional da frota, incluindo contratos, manutenção, rastreamento e suporte.
"Existe um movimento claro de pessoas buscando ativos que gerem renda recorrente, e não apenas valorização ao longo do tempo.
A moto entra como uma alternativa mais acessível e com retorno mais rápido", afirma Laís Oliveira, diretora de Expansão da Byker.
Na prática, o modelo também permite diluir riscos, ao contrário de investimentos concentrados em um único ativo.
"Quando você investe em um imóvel, você depende de um único locatário. No nosso modelo, é possível ter várias motos gerando receita ao mesmo tempo, o que traz mais previsibilidade e reduz o risco da operação", explica Geraldo Carneiro, fundador da Byker.
Segundo a empresa, uma operação com cerca de 10 motos pode gerar entre R$ 10 mil e R$ 12 mil mensais líquidos. Para efeito de comparação, o rendimento médio de aluguel residencial no Brasil costuma variar entre R$ 1.400 e R$ 1.800 para imóveis nessa faixa de investimento, dependendo da localização.Outro fator que tem chamado a atenção é a liquidez do ativo. Diferentemente de imóveis, que podem levar meses para serem vendidos, motocicletas possuem giro mais rápido no mercado.
"A gente está falando de um ativo com demanda constante. Caso o investidor precise sair da operação, a moto tem liquidez e pode ser comercializada com mais agilidade", afirma Carneiro.
Além disso, o modelo permite entrada gradual. Na Byker, é possível iniciar a operação com três motos e expandir a frota conforme o desempenho e a demanda, reduzindo a necessidade de grandes aportes iniciais.
O ambiente tributário também aparece como um fator relevante nessa equação. Dependendo da estrutura, a locação pode operar dentro do regime do Simples Nacional, com alíquotas iniciais mais baixas em comparação ao aluguel de imóveis.
"Quando estruturado corretamente, o modelo pode ter uma carga tributária mais eficiente, o que impacta diretamente na rentabilidade do investidor", explica Laís.
Outro diferencial está na gestão do ativo. Com o uso de tecnologia, é possível acompanhar em tempo real o desempenho das motos, manutenção e contratos, aumentando o controle sobre a operação.
"Além de gerar renda, é um modelo que traz mais visibilidade e controle para o investidor. Ele consegue acompanhar tudo de forma estruturada", afirma Carneiro.
Para a empresa, o avanço da locação de motos reflete uma mudança mais ampla na forma como o brasileiro enxerga investimento.
"A gente está vendo uma transição. O foco deixa de ser apenas acumular patrimônio e passa a ser gerar renda com ativos mais acessíveis e líquidos", conclui o fundador.