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Transporte Aquaviário

Maersk ressalta a crescente da rota Ásia-América Latina

A necessidade de diversificação e resiliência nas cadeias de abastecimento fortalece os laços entre as duas regiões

10/08/2026 09h15

Foto: Divulgação

As cadeias de suprimentos globais estão passando por uma transformação impulsionada pela necessidade das empresas de aumentar sua resiliência, flexibilidade e diversificação diante de interrupções, mudanças na demanda e incertezas geopolíticas. Nesse contexto, a Ásia e a América Latina estão ganhando crescente importância como polos de produção, consumo e investimento.

Essa é a visão de Thiago Covre, chefe da área marítima da Maersk para a América Latina, que destaca que, por décadas, as cadeias de suprimentos foram projetadas principalmente em torno da eficiência, com produção concentrada e rotas comerciais previsíveis. No entanto, esse modelo está mudando. “O que estamos testemunhando não é simplesmente um crescimento nos volumes de comércio, mas uma reconfiguração mais ampla das cadeias de suprimentos globais”, afirma Covre.

Segundo o executivo, a Ásia mantém sua posição como o principal polo de manufatura do mundo, enquanto a América Latina continua a expandir sua participação nas cadeias de suprimentos globais. Em particular, o México está consolidando sua posição como um centro de manufatura e distribuição , enquanto os mercados da Costa Oeste da América do Sul estão ganhando importância estratégica como uma conexão entre produtores, consumidores e mercados internacionais.

Essa evolução, segundo Covre, também está mudando as prioridades das empresas. Os clientes estão diversificando suas estratégias de fornecimento, expandindo suas capacidades de produção e buscando conexões mais fortes entre os centros de produção asiáticos e os mercados latino-americanos.

Papel estratégico da conectividade

Nesse contexto, a conectividade assume um papel estratégico. "A conectividade deixa de ser apenas uma vantagem logística: torna-se um facilitador estratégico do crescimento", argumenta ele.

O executivo enfatiza que as empresas precisam conectar de forma eficiente a produção, o abastecimento, a distribuição e os mercados finais, ao mesmo tempo que navegam por cadeias de suprimentos cada vez mais fragmentadas e dinâmicas. A qualidade e a confiabilidade dessas conexões, acrescenta ele, determinam cada vez mais a capacidade de uma empresa de aproveitar oportunidades e gerenciar riscos.

Como parte dessa evolução, a Maersk lançou recentemente o serviço 'AC1' , uma conexão marítima semanal entre portos na Ásia e a costa oeste da América Latina. Segundo Covre, o serviço visa fortalecer as conexões diretas entre as duas regiões, melhorar a confiabilidade e a previsibilidade das rotas, apoiar os clientes na adaptação de suas estratégias de fornecimento e reduzir a complexidade de suas cadeias logísticas.

O executivo também menciona o serviço 'West Coast Shuttle', anunciado recentemente, uma rede de três embarcações que conectará o México, o Panamá e o Equador, ampliando a cobertura e gerando conexões mais rápidas e confiáveis ​​entre os mercados de manufatura, transbordo e consumo.

Essas iniciativas, destaca Covre, fazem parte de um esforço para fortalecer as redes regionais e gerar cadeias de suprimentos mais integradas e resilientes na rota Ásia-América Latina.

Olhando para o futuro, a Covre prevê que o comércio global continuará a evoluir, com cadeias de abastecimento mais diversificadas e maiores exigências por parte dos clientes, enquanto a incerteza permanecerá um fator relevante no ambiente operacional.

Nesse contexto, ele argumenta que a América Latina está destinada a desempenhar um papel cada vez mais importante no comércio global, impulsionada pelo crescimento de sua capacidade produtiva, sua localização geográfica e a expansão de seus mercados consumidores. “No ambiente de negócios atual, a conectividade não se resume mais à movimentação de cargas. Trata-se de viabilizar o crescimento, construir resiliência e abrir novas oportunidades”, conclui.

Fonte: Mundo Maritimo