01/11/2026 10h57
Foto: Segundo-Sargento Carlos - Marinha do Brasil
A Marinha do Brasil (MB) incorporou, nesta sexta-feira (30), Navio-Patrulha “Mangaratiba” (P73), durante cerimônia de Mostra de Armamento no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ). Equipado com tecnologias nacionais e sistemas avançados de comunicação e monitoramento, o novo meio ampliará a atuação da Força Naval na região da foz do Rio Amazonas e da Margem Equatorial, contribuindo para a fiscalização marítima, o combate a ilícitos, as operações de busca e salvamento e o apoio à população em áreas isoladas.
O evento contou com um momento significativo, marcado pelo desembarque dos colaboradores do Arsenal de Marinha, simbolizando o término da construção do navio, seguido pelo embarque da primeira tripulação, que assumiu o Navio-Patrulha. Foram realizados o primeiro cerimonial à bandeira a bordo e o descerramento da placa que marca a incorporação do navio à Armada Brasileira.
O chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante de Esquadra Arthur Fernando Bettega Corrêa, destacou a relevância da incorporação para o desenvolvimento tecnológico e industrial do Brasil.
“Cada navio incorporado ao setor operativo representa não apenas um vetor adicional à disposição do Estado, mas também conhecimento acumulado, competência tecnológica e mobilização de uma base industrial de defesa cada vez mais robusta e imprescindível para a autonomia e o progresso do País”, afirmou.
Já a secretária-geral do Ministério da Defesa e madrinha do “Mangaratiba”, Cinara Wagner Fredo, ressaltou a importância do meio para a soberania nacional. “Ele representa não só a importância, a capacidade da indústria naval brasileira, como também a capacidade de cuidar e proteger os nossos interesses nacionais.”
Um dos principais diferenciais da embarcação é o Sistema de Comando e Controle Georreferenciado (SisC2Geo), desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM). A tecnologia brasileira integra informações provenientes de radares, sensores, sistemas de navegação e armamentos, permitindo à tripulação acompanhar o cenário operacional de forma integrada e tomar decisões com maior precisão.
Outro destaque é o Sistema de Comunicação por Satélite em Banda X, que proporciona comunicações seguras e de maior alcance com escalões superiores. A tecnologia é especialmente relevante para operações em regiões remotas sob responsabilidade do 4º Distrito Naval, onde as grandes distâncias representam desafios à comunicação e à coordenação das atividades operativas.

Foto: Segundo-Sargento Carlos - Marinha do Brasil
Construção naval e desenvolvimento nacional
Quarto navio da Classe “Macaé”, o “Mangaratiba” também representa um marco na retomada da capacidade de construção naval militar do País. A conclusão das obras no AMRJ envolveu etapas de construção, integração de sistemas e testes, contribuindo para a recuperação de competências técnicas e o fortalecimento da indústria naval brasileira.
A iniciativa permitiu preservar um patrimônio da União, recuperar competências técnicas e fortalecer a Base Industrial de Defesa. As obras do “Mangaratiba” e do Navio-Patrulha “Miramar” (P74), este último ainda em construção, mobilizam aproximadamente 250 profissionais, entre militares e trabalhadores de empresas contratadas, contribuindo para a manutenção de empregos especializados e a qualificação de mão de obra.
A incorporação integra o Programa de Obtenção de Navios-Patrulha (Pronapa), que prevê a obtenção de 11 embarcações destinadas a ampliar a capacidade de patrulhamento e proteção das águas brasileiras. Entre os próximos navios da Classe “Macaé” estão o “Miramar”, com lançamento previsto para 2028, e o “Magé”.
Contemplado pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), o Pronapa também prevê investimentos na modernização da infraestrutura de oficinas especializadas do AMRJ, considerado o estaleiro em atividade mais antigo do País. Além de ampliar a capacidade operacional da Marinha, o programa contribui para o desenvolvimento tecnológico, a preservação de conhecimentos especializados e o fortalecimento da indústria naval brasileira.
Fonte: Agência Marinha de Notícias