24/03/2026 08h53
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Os operadores logísticos do Brasil contrataram mais de 26 mil profissionais em 2025, segundo levantamento realizado pela Associação Brasileira dos Operadores Logísticos (Abol) junto às empresas filiadas. De acordo com a pesquisa, 61,1% dos entrevistados apontaram aumento nas contratações em relação ao período anterior.
Além disso, 77,8% dos entrevistados revelaram que a maioria das admissões foi direcionada para a área operacional, sendo que armazenagem e logística interna lideraram o preenchimento de vagas no ano passado.
Segundo a pesquisa, o resultado reflete a expansão das vendas online, nicho atendido por 44% dos OLs, segundo a edição mais recente do estudo ‘Perfil dos Operadores Logísticos’, também realizado pela entidade, em parceria com o Instituto de Logistica e Supply Chain (ILOS).
Além disso, o setor de logística concentrou 68.280 vagas abertas ao longo de 2025 e registrou mais de 445 mil pesquisas por oportunidades, de acordo dados do Banco Nacional de Empregos (BNE).
Apesar da tendência de buscar profissionais capazes de implantar e operar sistemas de automação, diante das rápidas transformações tecnológicas do setor, a pesquisa indicou que esse movimento ainda atinge uma minoria. Para a maioria dos respondentes (66,7%), a automação não alterou a necessidade de contratação de novos colaboradores.
Por outro lado, a alta rotatividade de funcionários segue como uma das grandes preocupações do segmento. Nesse sentido, a Abol revelou que as companhias têm reforçado estratégias de atração e retenção de talentos, na tentativa de evitar prejuízo às operações.
Entre as principais iniciativas estão a revisão de pacotes de remuneração e benefícios, programas de indicação, investimento em capacitação e treinamentos, parcerias com instituições de ensino, fortalecimento de planos de carreira e ações voltadas ao bem-estar e à experiência do colaborador. Ganham espaço ainda iniciativas de estágio, formação interna de mão de obra, reestruturação dos departamentos de recrutamento e gestão de pessoas.
Modelo de trabalho na logística
O modelo de trabalho, home office ou híbrido, também influencia as decisões, sobretudo nas funções de staff e administrativas, como TI, RH e Finanças. Segundo a ABOL, parte das associadas relata que esses formatos tornaram-se um diferencial competitivo para algumas áreas e tipos de atividades, contribuindo para a atração de pessoas em busca de maior flexibilidade e melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Alguns operadores observam que candidatos, especialmente de frentes como tecnologia e comercial, já priorizam vagas com possibilidade de jornadas remotas ou alternadas, enxergando a abordagem como um benefício relevante.
Ao mesmo tempo, há operadores logísticos que não adotam a atuação virtual ou limitam o formato misto a determinados cargos, pois a natureza operacional da logística exige presença física.
Uma das associadas à Abol comentou dar preferência a “candidatos que já tenham vivência anterior e estejam cientes de que é um mercado não tão aderente à prática do modelo híbrido”. Apesar da escolha, a companhia reconhece uma pequena perda de competitividade.
Previsões para 2026
A ABOL revelou que as perspectivas seguem positivas para este ano, mesmo diante de um cenário macroeconômico que exige maior cautela. De acordo com a pesquisa da entidade, 72,2% confirmam previsão de novas contratações nos próximos meses, considerando que nenhuma mudança na legislação trabalhista ocorra em relação à jornada de trabalho.
Apesar do otimismo majoritário, os operadores logísticos observam que o momento é de seletividade. Há quem mencione um setor ainda estruturalmente aquecido, impulsionado pelo crescimento do e-commerce, pela expansão dos centros de distribuição e pela crescente demanda por eficiência operacional. Ainda assim, há prioridade por posições capazes de gerar ganho de produtividade, controle de custos e melhoria de performance.
Segundo a Abol, as respostas do grupo ressaltam contratações voltadas ao turnover e à sazonalidade do negócio, além de funções críticas, tecnologia e operações.
A demanda por perfis especializados permanece alta, com relatos de que não há retração do mercado, mas sim uma postura mais assertiva e criteriosa na hora de admitir. O crescimento das operações spot, em períodos de picos e alta demanda, também é apontado como fator que exige maior agilidade dos times de recrutamento.
Fim da escala 6x1
Em meio às discussões sobre o fim da escala 6x1 no Brasil, os operadores logísticos estimam que levariam até um ano para se adaptar à nova realidade, segundo a pesquisa Abol.
Entre os participantes, 41,2% apontam seis meses como tempo mínimo necessário para reorganização, enquanto 23,5% afirmam precisar de até 12 meses para se adequar à nova jornada.
Outras entidades do setor de logística alertam que as alterações na jornada de trabalho tendem a agravar o cenário de escassez de motoristas e podem elevar os custos operacionais. Segundo o Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (SETCESP), as alterações estruturais na jornada de trabalho precisam considerar as especificidades da atividade, sob risco de comprometer a eficiência logística.
“Um dos principais pontos de atenção é a falta de mão de obra, especialmente de motoristas profissionais. A redução da carga horária, sem a existência de trabalhadores disponíveis no mercado, tende a agravar esse cenário”, avaliou o presidente do SETCESP, Marcelo Rodrigues.