18/01/2026 09h59
Foto: Loggi - Divulgação
Em 2025, as pequenas e médias empresas (PMEs) lideraram o crescimento do e-commerce brasileiro e passaram a operar com maior valor por pedido, novos formatos logísticos e maior capilaridade regional. É o que revela o novo levantamento do Mapa da Logística, realizado pela Loggi com dados de 2025, que ressalta uma mudança estrutural no comércio eletrônico do país.
De acordo com o estudo, as PMEs registraram crescimento de 77% no e-commerce em 2025, o maior entre todos os perfis de vendedores, superando grandes marcas e marketplaces. Além de crescerem mais, as PMEs passaram a operar com maior eficiência e complexidade. O valor médio por pedido chegou a R$ 215, um valor 20% acima das grandes marcas e 43% superior ao dos marketplaces, indicando uma combinação de maior ticket médio, opções de produtos mais diversificados e operações mais estruturadas.
No campo logístico, embora a coleta ainda represente 67% das operações, o uso de pontos de recebimento (do conceito de Pick up and Drop off points — PUDOs) já responde por 33%, e a utilização foi sete vezes maior do que em 2024, sinalizando a adoção de modelos mais flexíveis e escaláveis.
Balanço do e-commerce em 2025
Esse movimento também se reflete na geografia do e-commerce brasileiro. Em 2025, estados fora do eixo tradicional registraram as maiores taxas de crescimento de envio, com destaque para Goiás (141%), Santa Catarina (140%) e Rio Grande do Sul (117%), reforçando o fortalecimento de novos polos logísticos. São Paulo e Minas Gerais seguem liderando em volume de envios e recebimentos, enquanto o Nordeste se destaca com Bahia e Ceará como hubs regionais relevantes.
A mudança no perfil de consumo também contribuiu para o avanço das PMEs. As categorias ligadas à saúde, casa e bem-estar concentraram as maiores altas no ano, com destaque para óticas (126%), farmácias (101%), móveis e decoração (83%), itens de livraria (71%) e eletrônicos e informática (56%). O crescimento desses segmentos amplia a complexidade das operações e exige soluções logísticas mais especializadas e eficientes.
Ao longo de 2025, mais de 47 milhões de km foram percorridos, refletindo o avanço da capilaridade logística no país. Os dados também apontam um ambiente cada vez mais competitivo, com 45% das entregas realizadas em até dois dias e 57% em até três dias, elevando o padrão de serviço esperado pelo consumidor final.
Regiões, categorias de destaque e principais datas
O novo levantamento do Mapa da Logística também contou com dados do quarto trimestre de 2025, evidenciando a maturidade do e-commerce brasileiro, impulsionada pela atuação integrada de PMEs, grandes marcas e marketplaces, além da ampliação da presença digital em diferentes regiões.
A região Centro-Oeste tem grande destaque, sendo representada por Goiás, que lidera o ranking de maior crescimento por estado (98%), enquanto o eixo Sul-Sudeste se destaca por ter a maior quantidade de estados neste mesmo levantamento, reforçando a consolidação do comércio eletrônico nestas regiões.
A expansão da malha logística também se evidencia no Norte, com o Pará passando a integrar o grupo dos dez estados que mais recebem pacotes, sinalizando maior capilaridade operacional. No Nordeste, Bahia e Ceará se consolidam como polos relevantes de envio e recebimento. Já as PMEs têm maior presença de envios no Nordeste (4%) e no Sul (31%), acima das grandes marcas, que alcançaram 2% e 11%, respectivamente.
Além disso, as categorias com as maiores taxas de crescimento em todo o Brasil durante o período analisado foram a de móveis e decoração (66%), óticas (63%) e itens de livraria (60%).
Nas principais datas do varejo no quarto trimestre, o protagonismo das PMEs também foi destaque. Na semana do Natal, o volume chegou a 2,4 milhões de pacotes, e as PMEs registraram alta de 45% nos envios, reforçando a relevância de estratégias baseadas em proximidade com o consumidor, personalização e agilidade operacional. Já na semana da Black Friday, os envios cresceram 57% (considerando pequenos, médios e grandes negócios) em comparação às semanas sem datas relevantes do e-commerce ao longo do quarto trimestre.