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Gestão

Raízen entra com pedido de recuperação extrajudicial

Segundo a produtora, plano conta com a adesão expressa de credores titulares de mais de 47% das dívidas financeiras

11/03/2026 11h05

Foto: Divulgação

A Raízen anunciou, nesta quarta-feira (11), que protocolou um pedido de recuperação extrajudicial, buscando reestruturar dívidas de aproximadamente R$ 65,1 bilhões.

Segundo o fato relevante da companhia, seu plano conta com a adesão expressa de credores signatários titulares de mais de 47% das dívidas financeiras, percentual que demonstra “apoio relevante aos esforços para viabilizar a reestruturação das obrigações financeiras do grupo”.

A produtora de açúcar e etanol, controlada pelo grupo Cosan e Shell, disse que o plano não abrangerá dívidas e obrigações com seus clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios, “essenciais para a sua operação e continuidade de suas atividades, as quais permanecem vigentes e continuarão sendo cumpridas normalmente nos termos dos respectivos contratos”.

A Raízen afirmou ainda que terá um prazo de 90 dias, a contar do processamento da recuperação extrajudicial, para obter o percentual mínimo necessário à homologação do plano, “assegurando, assim, a vinculação de 100% dos créditos sujeitos aos novos termos e condições de pagamento a serem definidos”.

Entenda a crise

A Shell e a Cosan, um conglomerado industrial criado por Ometto, detêm cada uma 44% da Raízen.

A Raízen registrou uma série de prejuízos e um aumento acentuado da dívida líquida nos últimos trimestres, como resultado de investimentos caros e condições climáticas adversas que afetaram negativamente as safras, levando-a a alertar, em fevereiro, sobre uma “incerteza significativa” quanto à sua capacidade de continuar operando.

A dívida líquida da Raízen disparou devido a uma combinação de investimentos pesados, clima instável e incêndios florestais, que levaram a colheitas mais fracas e volumes de moagem mais baixos.

Segundo o fato relevante, o plano de recuperação poderá envolver, além da reestruturação das dívidas:

  • venda de ativos
  • capitalização do Grupo Raízen pelos seus acionistas
  • conversão de parte dos créditos sujeitos em participação acionária na companhia
  • a substituição de parte dos créditos por novas dívidas
  • reorganizações societárias, destinadas à segregação de parcela dos negócios atualmente conduzidos pelo grupo

Fonte: Reuters