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Logística

Recordes nos portos mostram nova escala da logística

Crescimento atual exige que rodovias, ferrovias, retroáreas e estruturas de apoio avancem no mesmo ritmo, ressalta FuMTran

21/10/2026 07h34

Foto: TCP - Divulgação

Os portos brasileiros chegaram a uma nova escala de movimentação. Em agosto de 2026, o Porto de Santos registrou 538,2 mil TEUs, maior volume mensal de contêineres de sua história e avanço de 3,9% sobre agosto do ano anterior. No mesmo mês, Suape, em Pernambuco, movimentou 2,7 milhões de toneladas, também estabelecendo recorde mensal, com crescimento de 61% na comparação anual. O desempenho acompanha uma tendência mais ampla: em 2025, os portos brasileiros movimentaram 1,4 bilhão de toneladas, maior volume já registrado no país e 6,1% acima de 2024.

Essa expansão é resultado de transformações construídas ao longo de décadas. A conteinerização, a mecanização das operações, a especialização dos terminais e a incorporação de novas tecnologias aumentaram produtividade e capacidade. Outro marco ocorreu em 1993, com a Lei de Modernização dos Portos, que ampliou a participação privada nas operações e estimulou investimentos em equipamentos e infraestrutura.

Para a Fundação Memória do Transporte (FuMTran), os recordes atuais também evidenciam uma mudança no próprio desafio portuário. Se durante boa parte dessa trajetória o foco esteve na capacidade dos cais e terminais, o crescimento atual exige que rodovias, ferrovias, retroáreas e estruturas de apoio avancem no mesmo ritmo.

"Os portos brasileiros passaram por uma transformação muito significativa e hoje movimentam volumes que seriam difíceis de imaginar algumas décadas atrás. Mas, à medida que o terminal se torna mais eficiente, cresce também a necessidade de garantir que a carga consiga chegar e sair com a mesma eficiência. O desafio passa a envolver todo o corredor logístico", afirma Antonio Luiz Leite, presidente da FuMTran.

A questão é evitar que os ganhos obtidos dentro dos complexos sejam transferidos para gargalos em seus acessos. A ampliação da capacidade rodoviária e ferroviária, a organização de pátios reguladores e retroáreas e a integração com terminais intermodais tornam-se cada vez mais relevantes à medida que cresce o volume transportado. Afinal, a movimentação portuária depende de uma rede que começa muito antes do cais e continua depois dele, conectando áreas produtoras, indústrias, centros de distribuição e mercados consumidores.

Nesse cenário, a ferrovia pode ganhar maior participação no transporte de grandes volumes e em longas distâncias, enquanto o modal rodoviário permanece essencial na coleta, distribuição e conexão entre diferentes pontos da cadeia. A expansão dos próprios terminais reforça a necessidade desse planejamento: entre julho de 2025 e janeiro de 2026, foram formalizados 25 instrumentos relacionados a Terminais de Uso Privado, com R$ 9,23 bilhões em investimentos previstos.

"Os recordes mostram o quanto os portos evoluíram. O próximo passo é garantir que rodovias, ferrovias, terminais intermodais e áreas de apoio também avancem de forma coordenada. Sustentar volumes cada vez maiores dependerá menos de uma estrutura isolada e mais da eficiência com que todo o sistema consegue movimentar essas cargas", conclui Leite.