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Artigo

Rodovias em transição

Jônatas Lima

02/02/2026 02h08

Foto: Divulgação

A transição energética no setor rodoviário brasileiro evolui de forma consistente e passou a ocupar um espaço central nas decisões estratégicas das concessionárias. O aumento da demanda por soluções renováveis, aliado ao avanço regulatório, transformou o tema em um fator importante na competitividade.

Esse movimento se intensifica à medida que o país amplia o acesso a modelos de comercialização de energia que asseguram previsibilidade de custos e suporte técnico qualificado. A possibilidade de firmar contratos estáveis no longo prazo fortalece a adoção de fontes renováveis e cria um ambiente favorável para modernização das estruturas administrativas e operacionais de todo o sistema viário.

Embora o tráfego intenso de caminhões, ônibus e automóveis torne o segmento um dos principais emissores de gases de efeito estufa, as próprias concessionárias contam com instalações que favorecem uma mudança consistente. Praças de pedágio, centros de controle e bases de apoio apresentam perfil de consumo contínuo e padronizado, o que facilita a implementação de soluções energéticas modernas.

Nesse contexto, três frentes vêm ganhando destaque. O Mercado Livre de Energia oferece autonomia para negociar diretamente com comercializadoras, possibilitando condições econômicas mais competitivas e contratos ajustados à realidade de cada operação. A aquisição de energia com certificação I-REC garante rastreabilidade e comprova a origem limpa do fornecimento. A geração distribuída por assinatura amplia o acesso à energia solar ao eliminar a necessidade de construção, aquisição de equipamentos ou manutenção, reduzindo barreiras e permitindo economia desde o momento em que é iniciado o recebimento de energia das usinas.

O ambiente regulatório também tem desempenhado papel relevante. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apresenta diretrizes que estimulam o uso de fontes renováveis e a adoção de práticas que elevam a eficiência do consumo energético das concessionárias. O alinhamento entre metas claras e incentivos econômicos acelera iniciativas que, até recentemente, avançavam de forma mais gradual.

Se olharmos para o cenário internacional podemos observar que o Brasil ainda tem um percurso significativo para aproximar sua malha rodoviária de modelos adotados por países que tratam a energia limpa como eixo estruturante. Na Europa, por exemplo, a integração entre metas de descarbonização, tecnologias de geração renovável e eletromobilidade já compõe um sistema consolidado. Apesar das diferenças, podemos perceber que há sinais

evidentes de que o setor brasileiro caminha para mudanças estruturais, impulsionado pelo amadurecimento regulatório, pela disponibilidade de novos modelos de contratação de energia e pelo crescente interesse das concessionárias em reduzir custos e elevar a eficiência de suas operações.

A adoção de soluções renováveis, combinada à estrutura regulatória atual, cria as condições necessárias para que as concessionárias avancem com segurança e contribuam para uma nova fase da infraestrutura rodoviária do país.

Jônatas Lima - engenheiro eletricista, pós-graduado em estratégia empresarial e diretor de produtos, inovação e tecnologia na Prime Energy.

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