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Logística

Tecadi automatiza 500 inventários por mês com drones

A empresa integra drones ao próprio WMS e reduziu em 80% as movimentações de máquina no processo

23/05/2026 10h29

Foto: Divulgação

O Tecadi — um dos principais operadores logísticos do Sul do Brasil, se tornou o primeiro operador logístico brasileiro a desenvolver internamente um sistema de gerenciamento de inventário cíclico automatizado por drones utilizando IA em sua programação. A tecnologia está em operação real e contínua sendo aplicada nas unidades do grupo que utilizam a modalidade, integrada ao WMS próprio da empresa — configuração que nenhum outro operador do setor havia alcançado até agora com desenvolvimento proprietário.

O mercado brasileiro de inventário por drones ainda é incipiente. Poucas empresas de tecnologia oferecem esse tipo de serviço no país, e o modelo dominante é o da terceirização: o operador contrata um fornecedor especializado, que chega com equipamento e equipe para executar o levantamento. O Tecadi fez o caminho inverso. Desenvolveu o ecossistema por dentro, da programação de voo dos drones à leitura e consolidação dos dados no WMS, eliminando a dependência externa e gerando um ativo tecnológico proprietário.

Em operação, os drones percorrem os corredores dos centros de distribuição, lendo etiquetas e posições de estoque sem interromper o fluxo logístico. Os dados alimentam o WMS em tempo real, viabilizando um inventário cíclico com frequência e precisão inatingíveis pelo processo manual. Cada ciclo de voo atende cerca de 30 minutos, podendo realizar até 400 posições porta pallet, com taxa de precisão de 99,9% e redução 80% quando comparado com as movimentações de máquina necessárias - aliadas a algoritmos de inteligência no WMS. Divergências de estoque aparecem imediatamente no sistema após cada voo, sem intermediação humana na consolidação.

Para Rafael Dagnoni, CCO do Tecadi, a decisão de construir internamente partiu de uma simples constatação. "O inventário manual sempre foi um gargalo. Não por falta de competência das equipes, mas pela natureza do processo: é lento, caro e sujeito a erro humano em qualquer escala. Quando decidimos resolver isso, a pergunta que ficou na mesa foi por que dependeria de alguém de fora para fazer algo que acontece dentro da nossa operação todos os dias", afirma o CCO.

A integração nativa com o WMS próprio é o que diferencia o modelo do Tecadi das alternativas de mercado. Empresas que terceirizam o serviço recebem um relatório ao fim do inventário e precisam reconciliar manualmente os dados com seu sistema de gestão. No Tecadi, drone e WMS foram desenvolvidos para operar juntos. O grupo conta hoje com drones distribuídos em suas unidades de SC e registra executados mais de 500 inventários cíclicos mensais com drones e mais de 50 inventários gerais (wall-to-wall) anuais.

O executivo de Tecnologia da Informação que desenvolveu o sistema, Luiz Carlos Poleza Júnior, reforça que o projeto não nasceu como uma iniciativa de visibilidade. "O que construímos não é um projeto-piloto para mostrar em eventos de inovação. É uma solução que roda todos os dias, na operação real, com impacto direto na acurácia do estoque e na capacidade de resposta ao cliente. Isso muda o nível da conversa", diz o executivo de TI.

Com investimento no desenvolvimento da tecnologia, a empresa reafirma seu posicionamento como operador logístico que une eficiência operacional e inovação aplicada. A iniciativa integra a estratégia de longo prazo da empresa de construir infraestrutura tecnológica própria para suas operações portuárias e de armazenagem, reduzindo dependências externas e ampliando a capacidade de resposta às demandas do mercado.