Utilizamos cookies de terceiros para fins analíticos e para lhe mostrar publicidade personalizada com base num perfil elaborado a partir dos seus hábitos de navegação. Pode obter mais informação e configurar suas preferências AQUI.

Transporte Aquaviário

Tráfego de navios-tanque pelo Estreito de Ormuz praticamente zera

Os estoques de petróleo bruto se acumulam, a produção diminui e os preços do petróleo se tornam instáveis

10/03/2026 11h28

Foto: Divulgação

O transporte de petróleo pelo Golfo Pérsico e pelo Estreito de Ormuz enfrenta uma das maiores interrupções em décadas, após o início da guerra entre os Estados Unidos, Israel e Irã. Em meio a ataques a navios mercantes e ao aumento dos riscos militares na região, o tráfego comercial por essa via navegável estratégica praticamente parou.

Dados de rastreamento de navios compilados pela Bloomberg indicam que as travessias pelo Estreito de Ormuz — um dos principais gargalos no comércio global de energia — permanecem “praticamente paralisadas pelo sétimo dia consecutivo”. Nas últimas 24 horas observadas, “os únicos navios mercantes que fizeram a travessia foram embarcações ligadas ao Irã”, enquanto o último petroleiro sem aparente ligação com o país a cruzar o estreito foi o navio graneleiro chinês “Sino Ocean”, na manhã de sábado.

O tráfego marítimo foi severamente afetado pelo aumento da atividade militar na área. Segundo relatos, "o uso de mísseis e drones continua a representar um risco crítico para todas as embarcações nas proximidades", após diversos ataques a navios mercantes.

Irã continua a exportar seu petróleo bruto

Apesar da paralisia generalizada, o Irã continuou exportando petróleo bruto pelo estreito. A empresa de monitoramento TankerTrackers.com estima que Teerã tenha exportado “pelo menos 11 a 12 milhões de barris desde o início da guerra, em 28 de fevereiro”. No entanto, o volume real pode ser maior devido às limitações na observação da movimentação de navios no coração da zona de conflito.

Uma das principais dificuldades no monitoramento do tráfego marítimo é o desligamento deliberado dos Sistemas de Identificação Automática (AIS) dos navios. Segundo relatos, muitas embarcações navegam sem transmitir sinais digitais até estarem longe do estreito, o que dificulta a determinação de sua posição real por vários dias.

Impacto na produção de energia

A interrupção do trânsito tem consequências diretas para o comércio global de energia. A impossibilidade de navios-tanque navegarem dentro e fora do Golfo Pérsico está causando um rápido acúmulo de estoques nos terminais de armazenamento. De acordo com os dados citados, “os tanques de armazenamento estão se enchendo e algumas refinarias reduziram sua capacidade”.

Como resultado, vários produtores do Golfo Pérsico tiveram que ajustar sua produção. O Iraque já reduziu seu bombeamento, enquanto o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos também começaram a diminuir a produção. Em contrapartida, a Arábia Saudita aumentou os embarques de seus terminais no Mar Vermelho "para níveis recordes" a fim de compensar a impossibilidade de exportar do Golfo.

A disponibilidade de navios-tanque também se tornou crítica. Em 6 de março, “restavam apenas nove navios-tanque vazios no Golfo”, refletindo o grave desequilíbrio logístico criado pela crise.

Preços do petróleo disparam

As interrupções logísticas já estão impactando os mercados de energia. O preço do petróleo se aproximou de US$ 120 por barril na segunda-feira, 9 de março, impulsionado pela interrupção do comércio marítimo no estreito, que está impedindo muitos produtores do Golfo de colocar seu petróleo bruto no mercado internacional.

Ao mesmo tempo, compradores na Ásia estão competindo agressivamente para garantir o fornecimento. Pelo menos oito navios-tanque carregados com produtos refinados — como diesel e querosene de aviação — mudaram abruptamente de rota nos últimos dias, rumando para o Leste Asiático.

Essas manobras refletem a pressão sobre a região, que é altamente dependente do petróleo do Golfo Pérsico. A interrupção do fluxo pelo Estreito de Ormuz afetou particularmente a Ásia, onde diversas refinarias reduziram suas taxas de processamento devido à escassez de petróleo bruto, enquanto longas filas se formaram em postos de gasolina em algumas cidades.

No âmbito político, o conflito continua a evoluir. O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que a guerra contra o Irã poderia terminar “muito em breve”, o que ajudou a aliviar a pressão sobre os preços do petróleo, que fecharam o dia a US$ 90 o barril. No entanto, ele alertou que a campanha militar ainda não terminou: “Estamos fazendo grandes progressos para atingir nosso objetivo militar”. Ele também observou que a operação “pode ser considerada um enorme sucesso neste momento, ou podemos ir mais longe, e iremos mais longe”.

Fonte: Mundo Marítimo