02/07/2026 09h13
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Durante o ano de 2025, foram reportados 2.818 incidentes e acidentes marítimos em todo o mundo envolvendo embarcações com mais de 100 toneladas brutas, uma diminuição de 535 casos em comparação com 2024, equivalente a uma queda de aproximadamente 16%. Esta informação consta do relatório “Análise de Segurança e Riscos do Transporte Marítimo 2026”, elaborado pela Allianz Commercial, que analisa a evolução recente da segurança marítima e as principais tendências que afetam o setor.
De acordo com as regiões com o maior número de incidentes relatados, o Mediterrâneo Oriental e o Mar Negro registraram 622 casos, seguidos pelas Ilhas Britânicas, Mar do Norte, Canal da Mancha e Golfo da Biscaia, com 619 incidentes. Essas duas áreas representaram aproximadamente 44% do total registrado entre as dez principais regiões analisadas.
No período de 2016 a 2025, o total global de incidentes atingiu 28.660. As Ilhas Britânicas, o Mar do Norte, o Canal da Mancha e o Golfo da Biscaia lideraram o ranking com 5.953 incidentes, seguidos pelo Mediterrâneo Oriental e Mar Negro com 5.448 casos, e pela região que engloba o sul da China, a Indochina, a Indonésia e as Filipinas, com 2.603.
Em relação às causas dos incidentes, o relatório identifica danos ou falhas em máquinas como o principal fator de risco. Em 2025, essa categoria representou 1.505 incidentes, o equivalente a 53% do total anual. Em seguida, vieram as colisões entre embarcações, com 260 casos; incêndios e explosões, com 218; e encalhes ou aprisionamentos, com 202.
Na última década, as falhas em máquinas foram responsáveis por 12.991 incidentes, representando 45% do total global. As colisões atingiram 2.822 eventos, enquanto os encalhes totalizaram 2.512 e os incêndios ou explosões, 1.952.
Em relação às perdas totais, a Allianz Commercial registrou 43 navios perdidos em 2025, o menor número anual do período analisado.
A análise regional mostra que o sul da China, a Indochina, a Indonésia e as Filipinas foram responsáveis pelo maior número de perdas na última década, com 255 casos, seguidas pelo Mediterrâneo Oriental e o Mar Negro, com 120, e pelo Japão, Coreia e norte da China, com 67. O relatório atribui essa concentração principalmente ao alto volume de tráfego marítimo que opera nessas áreas.
As maiores perdas por tipo de embarcação entre 2016 e 2025 corresponderam a navios de carga geral, com 328 unidades; embarcações de pesca, com 141; navios de passageiros, com 69; rebocadores, com 56; e navios químicos ou de produtos, com 54 perdas registadas.
Por fim, as principais causas de perda total de navios na última década foram os naufrágios, com 368 casos, o que corresponde a 41% do total. Em seguida, vieram os incêndios e explosões, com 180 perdas (20%), e os encalhes, com 169 casos (19%). Essas três categorias representaram aproximadamente 80% do total de perdas registradas em todo o mundo durante o período analisado.
Incerteza e volatilidade operacional
Segundo o relatório, a indústria marítima global atravessa um período de transformação marcado pelo aumento da incerteza e da volatilidade operacional, num contexto em que os riscos geopolíticos, as perturbações nas rotas estratégicas e os fatores estruturais estão a redefinir o cenário do transporte marítimo internacional.
O estudo destaca que, considerando que quase 90% do comércio internacional é realizado por via marítima, a segurança operacional continua sendo um elemento crucial para a economia global. No entanto, alerta que o setor enfrenta atualmente uma convergência sem precedentes de riscos estruturais, particularmente decorrentes do impacto de conflitos regionais nas cadeias de suprimentos internacionais.
O relatório sugere que o setor está caminhando para "um novo equilíbrio definido por maior volatilidade e incerteza", um cenário que exigirá dar maior prioridade estratégica à resiliência operacional em detrimento dos critérios tradicionais de eficiência baseados unicamente em custos.
Apesar desse contexto, a Allianz Commercial destaca que os progressos alcançados na segurança marítima nos últimos anos continuam a refletir-se nas estatísticas globais. O relatório confirma que tanto as perdas totais de embarcações como o número de incidentes reportados registaram novas reduções em 2025 em comparação com o ano anterior.
No entanto, a organização alerta que esses avanços continuam sob pressão de fatores sistêmicos, como interrupções causadas por conflitos, o uso estratégico de rotas marítimas, frotas envelhecidas e o aumento constante dos custos de reparo.
Fonte: Mundo Marítimo