27/10/2026 10h10
Foto: GOVSP - Divulgação
A Trívia Trens começou a operar as linhas 11-Coral e 12-Safira sob supervisão da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A transferência definitiva da operação está prevista para 26 de novembro, desde que a concessionária cumpra as condições estabelecidas pela agência reguladora.
A Linha 11-Coral atende Ferraz de Vasconcelos, Mogi das Cruzes, Poá e Suzano. Já a Linha 12-Safira passa por Itaquaquecetuba e Poá. As duas linhas se conectam na estação Calmon Viana, em Poá.
Segundo o cronograma aprovado pela agência, a operação supervisionada segue até 25 de novembro. Durante esse período, não estão previstas mudanças nos horários, nos intervalos entre os trens ou nas integrações das linhas.
Trívia Trens foi afastada após ocorrências
A Trívia assumiu as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade em 21 de julho, mas foi afastada da operação três dias depois, por determinação da Artesp, após falhas registradas no início da concessão.
Entre os problemas estavam falhas elétricas e uma ocorrência com fogo em um trem. Na ocasião, a CPTM retomou a operação das três linhas, enquanto a concessionária voltou à etapa pré-operacional do contrato.
Durante o afastamento, a Trívia retomou treinamentos operacionais e de manutenção de trens, veículos e equipamentos. A Artesp também exigiu um plano de ação com revisão de procedimentos, reforço da capacitação das equipes e aprimoramento dos protocolos de emergência.
Serviços paralisados
Em 23 de julho, uma falha no fornecimento de energia elétrica e um incêndio em um trem paralisaram os serviços, dois dias após a concessionária assumir a gestão dos ramais.
Os problemas fizeram o governo Tarcísio de Freitas devolver a gestão das linhas à CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) por ao menos 90 dias.
Em 6 de outubro, a Trivia Trens voltou a operar a linha 13 e o Expresso Aeroporto, mas sob supervisão da CPTM. A partir de agora, segundo a Artesp, agência reguladora do governo, será retomada à operação integral dos dois serviços pela concessionária.
Na segunda-feira (26) começou nos mesmos moldes a retomada gradual das operações dos ramais 11 e 12. Essa fase, que vai até 25 de novembro, será integralmente supervisionada pela CPTM.
A Trivia Trens reassume parcialmente a operação da linha 11 três dias depois de uma pane no sistema de sinalização do ramal ter feito os trens circularem com maiores intervalos na sexta-feira (23).
Desde o incidente de julho, a Trivia Trens teve de passar por treinamentos e simulados que fizeram parte de um plano de ação proposto pela Artesp, responsável pela fiscalização dos contratos de concessão.
Nesse período, também houve revisão de procedimentos operacionais, aprimoramento dos protocolos de emergência e realização de simulados práticos para ocorrências de falhas, além de atividades práticas sob supervisão da CPTM.
A Artesp diz ter realizado um trabalho de fiscalização e acompanhamento das ações da concessionária para possibilitar a retomada.
“A Trivia Trens segue apresentando evidências da implementação dessas ações. O cumprimento será atestado pela Artesp como condição para a retomada da operação integral de todos os serviços das linhas 11, 12 e 13 e do Expresso Aeroporto”, afirma a agência do governo paulista.
A concessionária diz ter dedicado mais de 4.000 horas a treinamentos e ao reforço de procedimentos de operação, manutenção, segurança e atendimento durante os 90 dias.
Em 23 de julho, uma falha em um trem, por volta das 5h40, provocou uma ocorrência elétrica entre as estações Tatuapé e Brás, envolvendo a linha 12, segundo a empresa. A circulação foi interrompida e os passageiros precisaram andar pelos trilhos até chegar às estações.
As causas ainda são apuradas.
Segundo a Artesp, há duas frentes de investigação: uma conduzida pela Comissão Permanente de Segurança do contrato de concessão e outra baseada na contratação de uma entidade técnica especializada, que realizará avaliação independente, incluindo perícias nos equipamentos envolvidos. “As conclusões subsidiarão as medidas regulatórias cabíveis”, diz a agência.
No dia da pane nas três linhas, Tarcísio ameaçou decretar a caducidade (rompimento) da concessão se a Trivia Trens não cumprisse o contrato. “Acho que a empresa precisa se preparar melhor para assumir esse encargo, esse ônus”, disse o governador.
Em 28 de julho, o Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito civil para apurar os problemas.
Em nota, a concessionária diz que foi antecipada para 2027 a revisão e substituição completa do sistema de energia, que teria sido “seriamente danificado devido a eventos climáticos recentes”. A medida busca garantir maior capacidade elétrica e suportar, com segurança, o fluxo contínuo do sistema.
Entre as outras medidas antecipadas estão a instalação de câmeras de segurança a cada 250 metros para combater furtos de cabos e vandalismo.
“Além dos investimentos necessários para superar os desafios históricos das linhas, como equipamentos em fim de vida útil e obsolescência de sistemas, a Trivia Trens intensificará as atividades de manutenção, investindo em tecnologia e processos.”
A Trivia é a holding do grupo empresarial voltada ao setor de transporte, principalmente rodoviário. O investimento total previsto nas linhas 11, 12 e 13 é de R$ 14,3 bilhões. A concessão prevê a construção de estações e extensões das linhas.
Pelo contrato, a Trivia também ficará responsável pela manutenção das 92 composições —outros 15 trens serão incorporados à frota gradualmente.
Mesmo sem estar à frente das operações durante os 90 dias de intervenção, a concessionária foi ressarcida em cerca de R$ 24,4 milhões pelo governo.
Segundo a CPTM, o valor se refere ao ressarcimento de serviços contratados pela Trivia Trens, como manutenção de elevadores e escadas rolantes, limpeza e outros custos operacionais das estações, utilizados pela estatal desde a retomada da operação das linhas, em 24 de julho.