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Logística

Ultracargo reforça logística entre o Centro-Oeste e o Sudeste

Empresa iniciou a operação do novo desvio em Rondonópolis com capacidade para movimentar até 3 milhões de m³ por ano

30/01/2026 11h18

Foto: Ultracargo - Divulgação

Com um investimento de R$ 95 milhões, a Ultracargo iniciou a operação do novo desvio ferroviário no terminal de Rondonópolis (MT). De acordo com a empresa, a iniciativa reforça a integração logística entre o Centro-Oeste e o Sudeste, além de consolidar um dos principais corredores multimodais do país para o escoamento de biocombustíveis e derivados de petróleo.  

O desvio, com cerca de quatro quilômetros de extensão, conecta o terminal à malha ferroviária da região, amplia a capacidade de movimentação de produtos e impulsiona a estratégia de interiorização da companhia. Em comunicado, a Ultracargo destacou que o projeto foi concebido para permitir a operação de composições com até 80 vagões, totalmente integrados à malha férrea local e com conexão direta à unidade da companhia em Paulínia (SP).

Na prática, o novo desvio viabiliza uma logística de frete retorno altamente eficiente: a mesma composição ferroviária que transporta derivados de petróleo para o Mato Grosso retorna ao Sudeste carregada com biocombustíveis, especialmente etanol de milho, eliminando deslocamentos ociosos e reduzindo o custo logístico total da cadeia. Além disso, o desvio logístico viabiliza a entrada de volumes adicionais pela ferrovia, promovendo a migração parcial do modal rodoviário para o ferroviário.

“A entrada em operação do desvio ferroviário de Rondonópolis reflete nossa visão de longo prazo sobre como o Brasil precisa estruturar seus fluxos logísticos. Estamos falando de um projeto que amplia a integração de modais de transporte entre regiões produtoras e centros consumidores, criando condições mais eficientes, seguras e sustentáveis para o escoamento de insumos essenciais”, afirmou o presidente da Ultracargo, Fulvius Tomelin.

Para a empresa, Rondonópolis passa a exercer um papel ainda mais relevante na otimização da logística do etanol de milho, em integração com as demais estruturas da companhia, ampliando as alternativas de escoamento para diferentes regiões do país e criando condições para estimular o consumo da molécula em mercados que hoje apresentam baixa penetração de etanol.

Importância para o agronegócio

Esse investimento ocorre em um momento crucial para o agronegócio e setor sucroenergético brasileiro, com o Brasil sendo o segundo maior produtor mundial de etanol de milho. Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), a produção nacional na safra 2024/25 cresceu cerca de 30%, saltando de 6,3 para 8,2 milhões de m³.

O estado do Mato Grosso é o protagonista desse cenário, alcançando 6,70 bilhões de litros de etanol, sendo 5,62 bilhões provenientes do milho — um crescimento de 17% em relação à safra anterior, superando a média nacional.

Segundo Tomelin, a migração de parte relevante desses volumes para a ferrovia também tem potencial de gerar ganhos econômicos ao longo da cadeia.

Benefícios da iniciativa

Com a nova configuração, o terminal de Rondonópolis passa a ter capacidade para movimentar até 3 milhões de m³ por ano. Além da via-férrea, o investimento incluiu a ampliação da capacidade estática (mais 15 mil m³), com a construção de dois novos tanques de etanol, e a modernização das plataformas ferroviárias e rodoviárias.

Esse conjunto de melhorias permite uma operação integrada, reduzindo em até dois dias o ciclo logístico entre Mato Grosso e São Paulo e eliminando gargalos associados ao transporte rodoviário de longa distância.

Ao migrar volumes relevantes para o modal ferroviário — cada composição transporta cerca de 8 mil m³, o equivalente a centenas de viagens de caminhão —, a Ultracargo fortalece uma operação mais segura, eficiente e alinhada às melhores práticas ambientais.

Essa ampliação da participação da ferrovia no corredor logístico reduz a circulação de caminhões em longas distâncias, resultando em uma diminuição estimada de 51 mil toneladas de carbono na atmosfera ao longo de um ano, o que representa cerca de 35% de redução nas emissões. A redução do tráfego rodoviário também resulta em menor desgaste da infraestrutura viária e maior confiabilidade no abastecimento.

Conexão estratégica: Rondonópolis e Paulínia

De acordo com a companhia, o projeto ganha ainda mais relevância com a sinergia do desvio ferroviário em Paulínia (SP), concluído pela Ultracargo em junho de 2025. Essa estrutura conecta o terminal da Opla — joint venture com a BP — diretamente à unidade de Rondonópolis, otimizando o atendimento à crescente demanda do setor sucroenergético e garantindo o abastecimento contínuo de combustíveis

Os impactos positivos se estendem para além do terminal, fortalecendo a economia do Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul e da Região Metropolitana de São Paulo. “Essa integração estratégica estabelece um novo padrão de excelência, criando um modelo de eficiência operacional que pode ser replicado em outros corredores do Brasil”, destacou Fulvius.

“Ao consolidar esse benchmark, demonstramos como a interligação entre os modais é o caminho para aproximar regiões produtoras de grandes centros consumidores, servindo de referência para o desenvolvimento de uma infraestrutura nacional mais competitiva, sustentável e integrada”, acrescentou.