11/03/2026 08h51
Foto: VLI - Divulgação
A empresa de logística VLI aumentou em 10% a movimentação de soja pelo Corredor Norte em relação a 2024. A rota é considerada estratégica para escoamento do grão cultivado no Centro-Oeste aos portos do Arco Norte. A companhia acaba de iniciar a operação ferroviária e os embarques para exportação de soja da safra 2026 e, sem detalhar volumes, espera um novo avanço para este ano.
No ano passado, foram 9 bilhões de toneladas por quilômetro útil (TKU) de soja. Em 2024, foram 8,2 bilhões. O TKU é uma medida que multiplica a quantidade transportada pela quilometragem da malha utilizada pela empresa. O resultado é um indicador de referência que mede a atividade ao longo do corredor logístico.
O Corredor Norte inclui parte da ferrovia Norte-Sul (FNS), sob concessão da VLI. A estrutura contém três terminais integradores, em Porto Franco (MA), Palmeirante e Porto Nacional, em Tocantins. A companhia opera também o Terminal Portuário São Luís, no Porto do Itaqui, no Maranhão.
“O Corretor Norte é um grande posto de crescimento para a empresa. Para 2026, esperamos acompanhar o crescimento do mercado”, diz Carolina Hernandez Tascon, diretora comercial na VLI.
Na safra 2025/26, que está em plena colheita, o Brasil deve produzir cerca de 177,98 milhões de toneladas de soja. Se confirmada, será uma alta de 3,8%, de acordo com as expectativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) projeta aumento de 3,1% nos embarques de soja em grão deste ano, em relação a 2025, quando as exportações somaram 108,2 milhões de toneladas - o que indica que haverá maior demanda para transporte da oleaginosa.
A diretora da VLI ressalta que, além da soja, o Corredor Norte também movimenta milho, fertilizantes, celulose e combustíveis. A capacidade de transporte varia de acordo com a sazonalidade e alterna entre os produtos ao longo do ano.
“Os maiores crescimentos de movimentação acontecem em soja e milho, mas também vemos potenciais importantes em produtos que estão em expansão como o DDG, cujo volume aumentou com a dinâmica de maior produção de etanol de milho”, afirma Carolina.
As operações com DDG, um subproduto do processo fabril do etanol de milho, ocorrem pelo Porto de Vitória, no Espírito Santo. “Exportamos DDG no ano passado, no último trimestre”, lembra. “Estamos tentando fazer negociações com produtores para ser um parceiro no transporte de DDG”, acrescenta.
Apesar dos avanços, Carolina Tascon reconhece que o país ainda conta com uma dependência muito grande do modal rodoviário para transporte de cargas. Para mudar isso, ela acredita que seria necessário desenvolver projetos de infraestrutura ferroviária de longa escala.
“São necessárias concessões, (superar) questões regulatórias, e mais investimentos, mas para esse investimento acontecer, precisamos de garantia de retorno de cargas, porque o custo é alto”, explica.
Nos últimos cinco anos, a VLI investiu R$ 1,5 bilhão em sua infraestrutura ferroviária. Além disso, os aportes mais recentes foram de R$ 400 milhões, para formação de um polo industrial no Terminal Integrador de Palmeirante (TIPA), em conjunto com a Companhia Operadora Portuária do Itaqui. E cerca de R$ 200 milhões em 168 vagões e três locomotivas, para aumento de capacidade de transporte.
Fonte: Globo Rural