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Transporte Terrestre

Acidentes de moto dobram na Bahia em 2024 e lotam hospitais

Número é 117% maior que registrado dez anos atrás, quando o balanço da Abramet fechou em 5.949 vítimas

03/04/2025 09h15

Foto: Divulgação

Os acidentes envolvendo motocicletas na Bahia continuam em ritmo alarmante. Somente em 2024, 12.888 pessoas precisaram ser internadas após ocorrências no trânsito. O número representa um aumento de 117% em relação a 2014, quando foram registradas 5.949 hospitalizações, segundo o balanço da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet).

Especialistas indicam que o crescimento expressivo da frota de motos, aliado à imprudência no trânsito e à falta de infraestrutura adequada, tem contribuído para o aumento dos acidentes. Além disso, hospitais da capital já enfrentam superlotação devido ao grande número de motociclistas feridos.

Aumento de acidentes acompanha crescimento da frota de motos

Os números elevados de acidentes não são isolados. De acordo com o Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA), Salvador registrou 16.851 novas motocicletas emplacadas apenas em 2024, o maior volume já registrado na cidade.

Nos últimos 5 anos, a frota de motos na capital baiana saltou de 160.661 veículos, em 2020, para 216.338 unidades neste ano, um crescimento de quase 35%.

Para o presidente da Abramet, Antônio Meira Júnior, o aumento da circulação de motocicletas reflete diretamente no crescimento das estatísticas de acidentalidade. É realmente um problema muito grave, que precisa ser visto com mais atenção”, alertou.

“As principais vítimas são dessa faixa adulto/jovem, que vai dos 20 aos 29 anos. A grande maioria é do sexo masculino”, ressaltou.

Impacto na rede hospitalar e principais causas dos acidentes

O grande número de motociclistas feridos tem gerado uma sobrecarga nos hospitais da Bahia, especialmente no Hospital Ortopédico da Bahia (HOB), em Salvador. A unidade, que recebe diariamente um fluxo intenso de pacientes vítimas do trânsito, revelou que 70% dos atendimentos emergenciais estão relacionados a acidentes viários, sendo a maioria envolvendo motos.

Segundo o diretor médico do hospital, Roger Alencar, a situação se tornou um verdadeiro problema de saúde pública, com números que crescem ano após ano. Conforme ele, entre as principais causas dos acidentes, está o excesso de velocidade e o uso inadequado de equipamentos de proteção, como capacetes e luvas, que poderiam reduzir a gravidade dos ferimentos.

Além desses fatores, Alencar aponta que o uso de álcool e drogas ao conduzir motos também tem contribuído para os altos índices de acidentes. Outro problema preocupante é a falta de infraestrutura adequada nas vias, como buracos, falhas na sinalização e iluminação deficiente, que colocam os motociclistas em risco constante.

Motofaixa é aposta para reduzir acidentes

Diante do cenário preocupante, Salvador implantou, no dia 10 de março, sua primeira motofaixa na Avenida Bonocô. Segundo a Transalvador, a iniciativa, ainda em fase de testes, busca reduzir o número de acidentes envolvendo motociclistas, oferecendo um espaço exclusivo para circulação de motos.

A motofaixa foi sinalizada nos dois sentidos da avenida, localizada entre as faixas 1 e 2, a partir do canteiro central. As demarcações foram feitas em azul e branco, permitindo melhor visibilidade para os condutores.

Salvador se tornou a terceira capital do país autorizada pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) a implementar a estratégia. A expectativa é que a medida seja ampliada para outras vias da cidade nos próximos meses.

Regras para nova motofaixa

Mesmo com a implantação da faixa exclusiva, algumas regras foram estabelecidas para garantir a segurança dos motociclistas e demais motoristas:

  • A velocidade máxima na Avenida Bonocô passou a ser de 60 km/h.
  • Os motociclistas devem respeitar a sinalização e não podem ultrapassar os limites da motofaixa.
  • As demais faixas da via continuarão destinadas aos outros veículos, mantendo quatro faixas de circulação em cada sentido.

Fonte: g1