21/02/2026 09h50
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A expectativa de que a montadora chinesa BYD eleve para 50% a produção local dos veículos produzidos em sua fábrica na Bahia deve ampliar a vacância dos galpões logísticos no entorno de Salvador, Camaçari e Simões Filho, especialmente nos empreendimentos dos padrões A e A+. A avaliação é da consultoria imobiliária Binswanger Brazil, que monitora a dinâmica de oferta e demanda na região.
Segundo a empresa, o avanço da nacionalização de componentes na cadeia automotiva tende a estimular a instalação de novos fornecedores e operadores logísticos próximos à planta industrial. Esse movimento aumenta a busca por áreas bem localizadas e por empreendimentos com padrão construtivo mais elevado, especialmente galpões classificados como A e A+, voltados a operações de maior complexidade técnica.
De acordo com Simone Santos, sócia-diretora da Binswanger Brazil, o projeto da montadora alterou o ritmo do mercado local. “A BYD ressuscitou Camaçari: a demanda por terrenos para desenvolvimento de condomínios logísticos e industriais quadruplicou”, afirmou. Para a consultoria, a retomada do polo industrial da região, agora impulsionada por um empreendimento de grande escala e com maior integração local, reforça uma tendência de expansão da procura por imóveis logísticos.
Os dados mais recentes indicam que, ao final de 2025, a taxa de vacância de galpões logísticos e industriais na área analisada atingiu 2,2%, o menor patamar histórico, ante 11,6% registrados ao final de 2024. No mesmo período, o preço médio pedido por metro quadrado chegou a R$ 25, refletindo o descompasso entre oferta e demanda.
Em 2025, o novo estoque entregue ao mercado somou 101.936 metros quadrados, enquanto a absorção líquida alcançou 165.868 metros quadrados. O volume ocupado superou, portanto, a quantidade de áreas disponibilizadas no período. Atualmente, o estoque total de galpões padrões A e A+ na região de Salvador, Camaçari e Simões Filho é de 806.690 metros quadrados. Segundo a Binswanger, o ritmo de ocupação permanece superior à capacidade de reposição imediata por novos empreendimentos.
Entre os principais ocupantes desses galpões estão empresas de comércio eletrônico e logística, como Mercado Livre, B2W Digital, Americanas, Shopee e Amazon Mundial Logistic, que concentram as maiores áreas locadas, conforme levantamento da consultoria.
Por segmento, os empreendimentos são majoritariamente ocupados por companhias de comércio e varejo, seguidas por operadores de logística e transporte. Também há presença de indústrias, empresas de tecnologia da informação e telecomunicações, além de organizações do setor de saúde. Nesse contexto, a perspectiva de ampliação do conteúdo local na produção da BYD adiciona um novo vetor de demanda ao mercado imobiliário logístico da Bahia, que já opera com oferta restrita e elevada absorção.