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Transporte Aquaviário

CVC não vai fretar navios de cruzeiros para temporada brasileira

O Sovereign da Pullmantur foi o último navio a vir ao Brasil por intervenção da CVC

03/09/2026 10h40

Foto: Divulgação

Agosto chegou ao fim sem que a CVC confirmasse o retorno de sua operação própria de cruzeiros no Brasil. Para o setor, o mês tradicionalmente funciona como uma data limite para definir o planejamento da temporada seguinte.

Depois desse período, fica cada vez mais difícil contratar um navio, organizar a operação, obter autorizações portuárias e vender cabines suficientes a tempo do início da estação.

Embora a CVC não tenha descartado publicamente a possibilidade, uma sequência de sinais dos últimos meses aponta na mesma direção: a de que a operadora abandonou, ao menos por ora, o plano de voltar a fretar navios próprios que vinham sendo considerado para a temporada brasileira 2026/2027.

Agosto como prazo histórico

A própria CVC tem histórico com a data limite, tendo publicamente declarado em outras ocasiões que agosto era o prazo para o planejamento de seus cruzeiros.

Em 2005, o então presidente da operadora, Guilherme Paulus, declarou à imprensa especializada que a empresa tinha até agosto para decidir, junto à parceira Pullmantur, se o Blue Dream viria para a temporada brasileira.

Onze anos depois, em 2016, a mesma métrica se repetiu: as negociações para o fretamento do Sovereign também precisavam de anúncio oficial até agosto para viabilizar a temporada daquele ano.

Os dois precedentes e o silêncio de agosto de 2026 reforçam o encerramento da janela de planejamento prática para 2026/2027.

Uma promessa condicionada

A possibilidade de retorno vinha sendo construída há cerca de um ano. Em setembro de 2025, Fabio Mader — então vice-presidente de Produtos e Pricing da CVC Corp — declarou que a empresa estava disposta a voltar a fretar navios caso a oferta de cabines no mercado brasileiro não fosse restabelecida aos padrões das temporadas anteriores.

A motivação era financeira. Pouco antes, em agosto de 2025, o então CEO Fábio Godinho havia atribuído os próprios resultados negativos da empresa à redução de 20% a 30% na oferta de cabines disponíveis para o mercado brasileiro entre as temporadas 2024/2025 e 2025/2026.

Em outubro, o plano pareceu ganhar ainda mais fôlego: Emerson Belan, vice-presidente de Negócios B2C, revelou à imprensa que a CVC negociava expandir a operação para o ano inteiro, criando roteiros também no inverno — um mercado estimado em R$ 10 bilhões anuais.

A movimentação chegou a atrair o interesse de duas companhias norte-americanas, que ofereceram navios com capacidade entre 2.500 e 4.500 passageiros.

O histórico da CVC com navios fretados

A CVC não é estreante na operação de cruzeiros — pelo contrário, foi durante anos a maior força do mercado brasileiro, atuando como armadora e não apenas como revendedora.

A empresa brasileira entrou no mercado de cruzeiros nacional em 2002, com o fretamento do Blue Dream. Operado pela Pullmantur, o navio foi o primeiro a navegar sob a bandeira da CVC, sendo também responsável por iniciar as operações regulares da operadora em Fernando de Noronha.

No ano seguinte, a operadora passou a operar também o Pacific — o navio que havia sido cenário do seriado norte-americano The Love Boat — iniciando um período de expansão que levaria à criação da própria CVC Cruises, divisão dedicada exclusivamente ao segmento marítimo.

Ao longo da década seguinte, a CVC chegou a fretar navios de diferentes armadoras, incluindo a Pullmantur, a Ibero Cruceros e a Louis Cruises. O ápice aconteceu na temporada 2008/2009, quando a operadora fretou seis navios ao mesmo tempo, um recorde histórico para o mercado nacional.

O modelo perdurou até 2012, quando as companhias parceiras decidiram realizar operações próprias em águas nacionais. Depois, a CVC voltou a atuar mais diretamente no mercado entre 2016 e 2020, bancando a vinda do Sovereign ao Brasil mesmo após o fechamento dos escritórios nacionais da Pullmantur.

Desde a retomada dos cruzeiros no pós-pandemia, a CVC atua exclusivamente como revendedora, sem voltar a operar embarcações próprias.

Fonte: World Cruises