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Sustentabilidade

Impactos do descarte irregular de efluentes geram alertas

O lançamento inadequado de efluentes pode reduzir a disponibilidade de água com qualidade adequada e afetar organismos aquáticos

14/08/2026 08h44

Foto: Divulgação

O Dia do Controle da Poluição Industrial, lembrado nesta sexta-feira (14), chama atenção para um problema que nem sempre pode ser identificado visualmente: o descarte de efluentes fora dos padrões ambientais. A data está associada ao Decreto-Lei nº 1.413, publicado em 14 de agosto de 1975, um dos primeiros marcos brasileiros voltados ao controle da poluição provocada por atividades industriais.

Diferentemente de resíduos sólidos acumulados ou emissões atmosféricas visíveis, alterações na composição da água podem passar despercebidas sem análises físico-químicas. Mudanças de pH, aumento da carga orgânica, presença de óleos, metais, sólidos suspensos e substâncias tóxicas podem comprometer rios, solos, redes de coleta e estações de tratamento.

Problema ultrapassa a área ambiental

O lançamento inadequado de efluentes pode reduzir a disponibilidade de água com qualidade adequada, afetar organismos aquáticos e provocar desequilíbrios nos corpos receptores. A Resolução Conama nº 430 estabelece condições, parâmetros e padrões para o lançamento de efluentes, complementando as regras de classificação e qualidade dos corpos d’água previstas na Resolução nº 357.

“O principal risco é acreditar que a ausência de alterações visíveis significa que o efluente está dentro dos parâmetros. Muitos contaminantes só são identificados por meio de análises laboratoriais e do acompanhamento contínuo da operação”, afirma José Renato Lanzi Martini, diretor de Tecnologias da Conatus Ambiental. 

O impacto, porém, não se restringe ao meio ambiente. Uma estação de tratamento operando com dosagem incorreta, equipamentos desregulados ou ausência de monitoramento pode consumir mais produtos químicos, gerar volume excessivo de lodo e apresentar instabilidade nos resultados.

Quando o problema é identificado apenas após uma fiscalização, reclamação ou alteração no processo produtivo, a empresa também pode enfrentar paralisações, necessidade de adequações emergenciais, descarte extraordinário de resíduos, custos jurídicos e danos à relação com clientes, comunidades e investidores.

Infrações relacionadas à poluição ambiental estão sujeitas às sanções previstas na Lei de Crimes Ambientais e no Decreto nº 6.514, que regulamenta as infrações e sanções administrativas federais. As consequências dependem da gravidade, da extensão do dano e das circunstâncias avaliadas pelas autoridades responsáveis.

Setores intensivos em água exigem maior controle

Indústrias de alimentos, bebidas, papel e celulose, metalurgia, produtos químicos e biocombustíveis estão entre as atividades com maior demanda hídrica. Segundo estudo da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, esses setores concentravam 85% da retirada e 90% do consumo de água da indústria de transformação analisada.

Embora os números sejam baseados em levantamento publicado anteriormente, a concentração demonstra por que esses segmentos exigem controle técnico rigoroso. Quanto maior a utilização de água nos processos, maior tende a ser a necessidade de caracterizar os efluentes, acompanhar variações da produção e ajustar o tratamento às condições reais da operação.

Entre os erros técnicos mais recorrentes estão a escolha de produtos sem testes de tratabilidade, a manutenção de dosagens fixas mesmo quando a composição do efluente varia, a ausência de calibração dos equipamentos e o monitoramento baseado apenas na aparência da água.

Tratamento depende de diagnóstico e dosagem

A coagulação é uma das etapas utilizadas para remover partículas suspensas e facilitar processos posteriores de separação. Produtos como o policloreto de alumínio 18%  podem ser aplicados no tratamento de águas e efluentes para favorecer a formação de partículas maiores e acelerar a decantação, desde que a seleção e a dosagem sejam definidas a partir das características do processo.

O uso de um insumo adequado, isoladamente, não garante conformidade. O desempenho depende de fatores como pH, temperatura, turbidez, carga contaminante, mistura, tempo de reação e funcionamento dos equipamentos.

“Não existe uma dosagem única que funcione para todas as indústrias ou permaneça adequada durante todo o ano. Alterações na matéria-prima, no volume produzido e na composição do efluente exigem testes e ajustes técnicos para evitar desperdícios e perda de desempenho”, explica Martini. 

Por isso, testes laboratoriais, acompanhamento de indicadores e revisão periódica da operação ajudam a reduzir desperdícios e antecipar desvios. A estimativa de redução de consumo de produtos químicos, geração de lodo ou custo operacional deve ser calculada individualmente, pois varia conforme a indústria, a tecnologia instalada e as condições iniciais do sistema.

Gestão preventiva reduz riscos

O Dia do Controle da Poluição Industrial reforça que o tratamento de efluentes não deve ser tratado apenas como uma etapa final da produção. Quando integrado à gestão da fábrica, o controle ambiental pode contribuir para maior previsibilidade operacional, redução de desperdícios e proteção da continuidade do negócio.

A poluição industrial pode ser invisível aos olhos, mas seus efeitos aparecem nos resultados laboratoriais, nos custos da operação, no cumprimento das licenças e na confiança construída com o mercado.