Utilizamos cookies de terceiros para fins analíticos e para lhe mostrar publicidade personalizada com base num perfil elaborado a partir dos seus hábitos de navegação. Pode obter mais informação e configurar suas preferências AQUI.

Transporte Terrestre

Nissan Frontier sai de linha no Brasil

Atual picape desaparece do site brasileiro da marca e abre caminho para nova Frontier Pro PHEV

31/08/2026 16h16

Foto: Divulgação

A atual geração da Nissan Frontier chegou ao fim da linha no Brasil. A picape média deixou de fazer parte da gama de veículos novos apresentada pela marca em seu site oficial, encerrando uma trajetória marcada por baixo volume de vendas nos últimos anos. A saída, porém, prepara terreno para uma mudança muito maior: sua substituta será chinesa, híbrida plug-in e completamente diferente do modelo conhecido pelos brasileiros.

Trata-se da nova Frontier Pro Híbrida, desenvolvida em parceria com a Dongfeng e já flagrada em testes de homologação no Brasil. A expectativa é que a picape desembarque importada da China e assuma o espaço da Frontier tradicional, inaugurando também uma nova fase de eletrificação para a Nissan no mercado brasileiro.

Frontier atual perdeu espaço no mercado

A saída da Frontier já vinha sendo desenhada há algum tempo. A produção argentina, realizada na fábrica de Santa Isabel, em Córdoba, foi encerrada no fim de 2025 dentro da reestruturação industrial promovida globalmente pela Nissan. A fabricação do modelo foi posteriormente transferida para o México, mas a continuidade desta geração no Brasil sempre esteve cercada de dúvidas.

O desempenho comercial ajuda a explicar a mudança. Em 2025, a Frontier registrou apenas 5.091 emplacamentos no Brasil, queda de 45% diante das 9.258 unidades de 2024. Para efeito de comparação, a Toyota Hilux fechou aquele ano com 49.721 unidades, a Ford Ranger com 34.047 e a Chevrolet S10 com 31.451. Ou seja: a Nissan vendeu praticamente uma Frontier para cada dez Hilux emplacadas.

A situação ficou ainda mais crítica em 2026, à medida que os estoques remanescentes diminuíram. Em julho, foram apenas 34 unidades, número inferior inclusive às 42 unidades registradas pela BYD Shark no mesmo período.

A Frontier que deixa o mercado brasileiro manteve até o fim o conhecido motor 2.3 biturbo diesel de 190 cv e 45,9 kgfm, associado ao câmbio automático de sete marchas e à tração 4x4. Era uma receita tradicional para o segmento, mas que começava a mostrar sinais claros de envelhecimento diante da renovação das concorrentes.

Nova Frontier Pro já está no Brasil

Em fevereiro, unidades da picape chinesa foram flagradas no Porto de Santos (SP), inclusive com identificação “Frontier Pro” e “plug-in hybrid” na tampa traseira. Os veículos estão no País para testes e processo de homologação.

A própria Nissan confirmou que a Frontier Pro fará parte da expansão da marca na América Latina. O modelo foi desenvolvido na China e é produzido pela Zhengzhou Nissan Automobile, joint venture entre Nissan e Dongfeng — justamente a gigante chinesa que acaba de anunciar sua operação própria no Brasil, onde venderá automóveis sob a marca DFM.

Apesar do nome, a Frontier Pro não é uma evolução da picape que acaba de sair de cena. O projeto deriva da Dongfeng Z9 e representa praticamente um recomeço para a Nissan na categoria.

Mais de 400 cv e até 135 km sem gasolina

A principal novidade estará debaixo do capô. A Frontier Pro PHEV combina motor 1.5 turbo a gasolina com propulsão elétrica e bateria recarregável externamente. O conjunto supera 400 cv de potência e chega a aproximadamente 81,6 kgfm de torque. A bateria permite rodar até 135 km usando apenas eletricidade, de acordo com o otimista ciclo chinês.

A picape também cresce. São cerca de 5,5 metros de comprimento, 1,96 m de largura e 1,95 m de altura, além de generosos 3,30 metros de entre-eixos. A suspensão dianteira é independente por braços duplos, enquanto a traseira utiliza molas helicoidais. Há bloqueio eletromecânico do diferencial traseiro e diferentes configurações para uso fora de estrada.

Por dentro, a transformação é igualmente radical. O painel adota quadro de instrumentos digital de 10 polegadas e central multimídia de 14,6”, além de recursos como bancos dianteiros com aquecimento, ventilação e massagem, a depender da configuração. A picape ainda pode oferecer sistema V2L capaz de fornecer até 6 kW para alimentar equipamentos externos.

Picapes médias vão virar híbridas?

A mudança da Frontier acontece justamente quando o segmento de picapes médias começa a experimentar uma transformação semelhante à vivida pelos SUVs nos últimos anos. A BYD Shark foi a primeira a apostar de forma mais contundente na combinação de motor turbo, propulsão elétrica, bateria de grande capacidade e tração integral no Brasil.

Com desempenho comercial ainda bastante discreto, a Shark não conseguiu até agora ameaçar as tradicionais picapes turbodiesel. Mesmo assim, a fórmula começa a ganhar seguidores.

A próxima Volkswagen Amarok seguirá caminho semelhante. A nova geração será baseada em um projeto da chinesa SAIC e também terá eletrificação entre suas principais armas. Assim, duas marcas tradicionais entre as picapes médias recorrerão justamente à indústria chinesa para acelerar a renovação de seus produtos.

É uma mudança importante de paradigma. Durante décadas, a receita praticamente obrigatória neste segmento combinou chassi, motor turbodiesel, câmbio automático e sistema 4x4 com reduzida. Agora, começam a aparecer modelos capazes de entregar desempenho muito superior, uso cotidiano em modo 100% elétrico, cabines mais tecnológicas e autonomia total competitiva sem abandonar a proposta de enfrentar terrenos difíceis.

Frontier Pro terá uma missão complicada

Para a Nissan, porém, trocar apenas a tecnologia não será suficiente. A Frontier encerra sua atual passagem pelo Brasil bastante distante das líderes e depois de perder praticamente metade de suas vendas em apenas um ano. A nova geração terá de recuperar uma relevância que o modelo deixou escapar ao longo dos últimos anos.

Por outro lado, a Frontier Pro chegará quando o mercado começa a mudar. Em vez de simplesmente tentar alcançar Hilux, Ranger e S10 repetindo a mesma receita diesel das concorrentes, a Nissan aposta em uma ruptura: uma picape chinesa, eletrificada, muito mais potente e tecnológica.

Se isso será suficiente para fazer a nova Frontier vender mais do que sua antecessora, só o mercado responderá. Mas uma coisa já está clara: a Frontier que conhecemos está indo embora no momento em que a própria definição de picape média começa a mudar.

Fonte: Motor1.com