03/09/2026 11h32
Foto: Divulgação
Se há um grupo tradicional que está sabendo lidar com a concorrência chinesa é a francesa Renault. Das poucas que não voltaram atrás em seus planos de eletrificação de quase toda a linha, a marca francesa e sua divisão de baixo custo romena Dacia seguem firmes nos planos de lançar uma linha completa de BEVs acessíveis, e o próximo pode ser justamente a nova geração do Sandero.
Previsto para o fim da década, o hatch compacto ganhará pela primeira vez em sua história uma versão 100% elétrica. A informação já havia sido antecipada pela Dacia e voltou a ser confirmada ao britânico Auto Express por Lina Ribeiro, diretora-geral da marca no Reino Unido, que garantiu que os planos seguem dentro do cronograma. A nova geração, inclusive, também continuará tendo o Stepway, mas agora com estilo ainda mais aventureiro e próximo dos SUVs de entrada oferecidos por aqui, como VW Tera, Chevrolet Sonic, Jeep Avenge e companhia.

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Sandero elétrico chega em 2028
Ainda não está definido qual será a solução técnica adotada. A Dacia tem acesso às plataformas elétricas AmpR usadas por Renault 5, Renault 4 e também pelo novo Twingo, mas também estuda manter uma arquitetura flexível capaz de receber diferentes tipos de motorização.
Essa segunda possibilidade colocaria o novo Sandero sobre uma evolução da atual CMF-B, adaptada também para receber baterias e motores elétricos. Katrin Adt, atual CEO da Dacia, confirmou que a marca ainda está na fase de desenvolvimento e trabalha com a possibilidade de usar uma mesma plataforma para diferentes versões.
Como a Dacia sempre ocupou dentro do Grupo Renault o espaço de marca de baixo custo, não pretende abandonar essa característica na transição para os elétricos. Frank Marotte, vice-presidente de marketing, vendas e operações, afirmou que a empresa precisa ser referência em acessibilidade entre os BEVs e encontrar um equilíbrio entre desempenho e preço para levar esse tipo de carro ao mercado de massa.
Por isso, o Sandero não deverá perseguir números de autonomia ou potência muito elevados. Ainda segundo a publicação britânica, uma possibilidade é aproveitar componentes já usados pelos elétricos menores do Grupo Renault, especialmente o Twingo, privilegiando baterias menores e versões menos potentes para conter custos, conseguindo assim competir de maneira mais próxima com BYD Dolphin e Geely EX2.
Como referência, o novo subcompacto retrô utiliza uma bateria de 27,5 kWh e promete até 262 km de autonomia pelo ciclo europeu WLTP. Já o Renault 5, um tanto maior e mais próximo em porte do Sandero, trabalha com conjuntos de 40 kWh e 52 kWh, chegando a cerca de 405 km.

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Dacia quer elétrico barato contra nova concorrência
Enquanto fabricantes chinesas avançam no continente com modelos cada vez mais competitivos e baratos, o grupo francês vem apostando em carros menores, mais simples e que relembram sua história no meio automotivo.
Para a Dacia, essa filosofia tem que ser ainda mais importante. Em vez de diferenciar visualmente o elétrico das demais versões, a intenção é manter uma linguagem bastante próxima entre elas. O futuro Sandero a bateria poderá receber alterações aerodinâmicas discretas, como grade mais fechada e outros ajustes de carroceria, mas sem transformar o BEV em um produto visualmente separado da família.
O Stepway, por sua vez, também continuará na próxima geração e deverá manter uma diferenciação maior em relação ao hatch convencional. A própria equipe de design da Dacia já indicou que pretende aumentar a distância visual entre as duas propostas, provavelmente o transformando de vez num derivado mais altinho.
Apesar da eletrificação inédita na gama do Sandero, vale dizer que ela não será exclusivamente movida a baterias. A Dacia ainda pretende oferecer alternativas com motor a combustão divididas em vários níveis de hibridização enquanto o mercado europeu não estiver pronto para uma transição completa.

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No Brasil
Já faz algum tempo que a Renault não trabalha mais com o Sandero e sua família no mercado brasileiro. Desde meados de 2022, a família de compactos de baixo custo foi dando espaço ao Kardian, ao Boreal e aos eletrificados Megane e Koleos E-Tech, mostrando que o foco da francesa deixou de ser no segmento de entrada.
Fonte: Inside Evs