Utilizamos cookies de terceiros para fins analíticos e para lhe mostrar publicidade personalizada com base num perfil elaborado a partir dos seus hábitos de navegação. Pode obter mais informação e configurar suas preferências AQUI.

Logística

Ociosidade de até 30% em empilhadeiras gera prejuízo na logística

"O erro de muitas empresas é enxergar a logística apenas como uma área de execução”, diz o diretor e fundador da Softrack

19/08/2026 07h09

Foto: Softrack - Divulgação

A ociosidade de frotas industriais e logísticas esconde um gargalo financeiro de grandes proporções. Em operações gerenciadas sem o suporte de ferramentas de análise de dados, a taxa média de inatividade das empilhadeiras varia entre 20% e 30%. Esse excedente de equipamentos, mantido por precaução para atender a picos de demanda, gera custos desnecessários com locação e manutenção, imobilizando capital que poderia ser revertido em produtividade real.

Para mensurar esse impacto, o ponto de partida é o modelo de aquisição. No caso de máquinas locadas, divide-se o valor mensal do aluguel pelas horas operacionais do período. Como os valores de locação oscilam conforme o porte do ativo — indo de R$ 2.500 mensais para uma paleteira básica a R$ 20.000 para modelos pesados —, uma empilhadeira elétrica de lítio de 2,5 toneladas, comum no mercado, com custo mensal entre R$ 6.000 e R$ 8.500, exemplifica o peso de manter um equipamento inativo. Já nas frotas próprias, embora a máquina desligada poupe combustível e desgaste imediato, ela representa capital imobilizado que deixa de gerar retorno financeiro.

"O erro de muitas empresas é enxergar a logística apenas como uma área de execução, esquecendo que cada máquina parada eleva diretamente o custo de operadores contratados em múltiplos turnos. O verdadeiro gargalo não está na falta de capacidade física, mas na incapacidade de orquestrar a frota existente. Redimensionar ativos com base em dados de uso real é o caminho mais rápido para estancar perdas e recuperar a eficiência operacional", analisa Mário Bavaresco Neto, diretor e fundador da Softrack.

Prevenção de quebras e a vida útil das baterias

A ausência de monitoramento constante também eleva as despesas ao forçar manutenções corretivas emergenciais. Sem o acompanhamento em tempo real, pequenas falhas passam despercebidas até causarem quebras graves. O conserto de um pneu que apresenta um pequeno furo, por exemplo, é simples e barato se detectado no início. No entanto, ignorar o sinal e rodar com o pneu vazio força a sua substituição completa por um valor muito superior.

Essa lógica preventiva estende-se às baterias elétricas. Um erro recorrente que abrevia a vida útil desses ativos é a descarga profunda, que ocorre quando o operador ignora o aviso de 20% de carga restante (momento no qual o equipamento entra em modo tartaruga para economizar energia) e segue utilizando a máquina até esgotar totalmente a carga. Nas baterias de chumbo-ácido tradicionais, esse hábito compromete o sistema químico, impedindo que absorvam carga total no dia seguinte. Nas modernas baterias de lítio, o desgaste é evitado por meio de recargas rápidas de oportunidade nos intervalos de almoço ou descanso, permitindo que a empilhadeira trabalhe continuamente por até 24 horas.

O investimento em telemetria inteligente para evitar esses desperdícios é proporcionalmente baixo, representando cerca de 1% do montante total gasto anualmente com a gestão de uma frota — valor que abrange manutenção, aluguel e a folha de pagamento dos operadores. Na prática, a redução de apenas uma máquina inativa já viabiliza o pagamento do sistema de monitoramento para toda a frota.

"A nossa tecnologia de telemetria captura os dados diretamente de cada máquina e, por meio de algoritmos, gera diagnósticos que transformam a gestão operacional. Ao analisar o uso real dos equipamentos, identificar desvios de comportamento dos operadores por sensores de impacto e mapear gargalos físicos que exigem remodelagem, conseguimos otimizar a planilha de custos de forma estratégica. Essa governança de dados reflete também na segurança ativa, chegando a reduzir em até 98% a probabilidade de acidentes na movimentação de cargas", conclui Neto.