02/04/2026 07h09
Foto: Divulgação
A Petrobras anunciou o reajuste médio de 55% no preço do querosene de aviação, combustível derivado do petróleo que abastece aviões e helicópteros e é um dos principais custos das companhias aéreas. O reajuste deste mês acontece no momento em que o mundo enfrenta uma escalada no preço do barril do petróleo por causa da guerra no Irã.
No início de março, o reajuste médio do QAV havia sido de 9%; e em fevereiro, de -1%. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil, órgão regulador do setor aéreo, combustíveis representaram cerca de 30% dos custos totais das companhias aéreas.
Refinarias
A tabela com os novos preços está publicada no site da companhia. A relação traz 14 pontos de venda. Os reajustes variam de 53,4% a 56,3%. Em Ipojuca, região metropolitana do Recife, onde fica a refinaria Abreu e Lima, o preço do litro passou de R$ 3,49 para R$ 5,40. O valor mais barato é em São Luís, que passou de R$ 3,45 para R$ 5,38 o litro.
A Petrobras comercializa para as distribuidoras o QAV produzido nas refinarias da empresa ou importado. Uma vez comprado pelas distribuidoras, as empresas transportam o combustível e vendem para companhias de transporte e outros consumidores finais nos aeroportos ou ainda para revendedores.
A Petrobras tem participação de cerca de 85% da produção do QAV, mas o mercado é aberto à livre concorrência, sem restrições para outras empresas atuarem como produtoras ou importadoras.
Guerra e petróleo
A guerra no Irã foi desencadeada em 28 de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. A região concentra países produtores de petróleo e rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz ─ por onde passam 20% da produção mundial ─, o que levou distorções à cadeia de petróleo e escalada de preços no mercado global.
Na quarta-feira (1), o preço do barril tipo Brent (referência internacional de preço) está sendo negociado pouco acima de US$ 101 (cerca de R$ 520). Antes da guerra, o óleo era cotado perto de US$ 70.
“Consequências severas”
O reajuste de 55% no querosene de aviação (QAV) anunciado pela Petrobras deverá ter “consequências severas” na aviação civil, especialmente na abertura de novas rotas e ofertas de serviços. A avaliação é da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que representa as principais companhias aéreas do país.
Segundo a entidade, com o reajuste, somado ao aumento de 9,4% em vigor desde 1º de março, o combustível passa a responder por 45% dos custos operacionais das companhias aéreas.
“A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo”, diz a Abear.
A entidade explica que, embora mais de 80% do QAV consumido no Brasil seja produzido internamente, sua precificação acompanha a paridade internacional.
“Isso intensifica os efeitos das oscilações do preço do barril de petróleo sobre o mercado doméstico, ampliando os impactos de choques externos sobre os custos das companhias aéreas”.
A Abear representa as empresas Azul, Boeing, Gol, Gol Log, Latam, Latam Cargo, Rima, Sideral e Total Express.
Fonte: Agência Brasil