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Economia

Procura de empresas por crédito sobe 8,2% na Bahia

Entre os setores, Serviços registrou a maior variação no país no acumulado de 12 meses até junho

22/08/2026 11h13

Foto: Divulgação

A procura das empresas por crédito cresceu 8,2% na Bahia no acumulado de 12 meses até junho deste ano, segundo o Indicador de Demanda das Empresas por Crédito da Serasa Experian. O resultado ficou abaixo da média nacional, de 9,2%, e colocou o estado na sexta posição entre as nove unidades federativas do Nordeste, todas com variação positiva no período.

A Paraíba apresentou o maior crescimento do Nordeste, de 17,3%, seguida por Alagoas, com 10,8%, Piauí, com 9,6%, e Maranhão, com 8,7%. Sergipe registrou 8,3%, resultado imediatamente acima do baiano, enquanto Ceará (7,8%), Rio Grande do Norte (6,4%) e Pernambuco (5%) ficaram abaixo da Bahia.

No levantamento nacional, Mato Grosso do Sul liderou a procura empresarial por crédito no acumulado de 12 meses, com crescimento de 23,3%, seguido por Roraima (21,9%) e Paraíba (17,3%). O Rio de Janeiro foi a única unidade federativa com variação negativa, de 0,4%, enquanto Espírito Santo (3,3%) e Pernambuco (5%) tiveram os menores resultados positivos.

Entre os setores, Serviços registrou a maior variação no país no acumulado de 12 meses até junho, com avanço de 14%, seguido pela Agropecuária, com 13%. Indústria e Comércio também tiveram crescimento na demanda empresarial por crédito no período, de 7,5% e 5,3%, respectivamente.

Na divisão por porte, as micro e pequenas empresas (MPEs) tiveram a maior alta acumulada em 12 meses, de 9,2%, enquanto as grandes empresas registraram 7,8% e as médias, 7,4%. Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, “a demanda por crédito das empresas segue em um patamar elevado, mesmo em um ambiente de juros ainda restritivos e de desaceleração da atividade econômica”.

Segundo a economista, o crédito tem sido usado pelas empresas para atender demandas relacionadas ao funcionamento dos negócios e à disponibilidade de recursos. “Esse comportamento evidencia que o crédito continua desempenhando um papel importante na sustentação das operações das empresas, especialmente para atender necessidades de capital de giro e gestão do fluxo de caixa”, afirma.

A especialista também aponta uma necessidade maior de crédito entre os negócios de menor porte, grupo que liderou o crescimento no acumulado de 12 meses. “Entre as micro e pequenas empresas, essa necessidade tende a ser ainda mais evidente, diante dos desafios de equilibrar recebimentos, pagamentos e preservar a liquidez do negócio”, detalha.

Na comparação entre junho de 2026 e o mesmo mês do ano passado, a demanda das empresas brasileiras por crédito avançou 6,6%, após alta interanual de 0,6% registrada em maio. Entre os portes, as grandes empresas apresentaram o maior crescimento em junho, de 10%, seguidas pelas micro e pequenas empresas, com 6,6%, e pelas médias, com 6,2%.

A Agropecuária liderou a variação interanual por setor, com crescimento de 14,8% em junho, seguida por Serviços, com 12%. A demanda também avançou na Indústria, em 4,1%, e no Comércio, em 2,1%, na comparação com junho de 2025.

Apesar do crescimento da procura, Abdelmalack afirma que as instituições financeiras mantêm restrições na concessão dos recursos. “Ao mesmo tempo, o mercado de crédito continua operando com maior cautela do lado da oferta. O ambiente de inadimplência ainda elevado leva as instituições financeiras a manterem critérios mais rigorosos na concessão, mesmo com iniciativas recentes de apoio, como programas lastreados por fundos garantidores, que ajudam a ampliar o acesso ao crédito em modalidades como capital de giro”, destaca a economista-chefe da Serasa Experian.

A economista acrescenta que esses mecanismos ampliam as possibilidades de concessão, mas não eliminam o impacto das condições financeiras sobre as empresas. “Esses instrumentos contribuem para dar tração às concessões, mas não alteram o fato de que o custo do crédito permanece pressionado por um ambiente de juros ainda elevados”, completa.