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Economia

Superquarta: Brasil deve cortar juros e EUA subir

Mercado espera Selic em 13,75% e taxa americana entre 3,75% e 4%

16/09/2026 09h46

Foto: Divulgação

A chamada “Superquarta” desta semana terá uma particularidade: os dois principais bancos centrais envolvidos devem caminhar em sentidos opostos nos juros.

No Brasil, o Copom deve cortar a Selic de 14% para 13,75%, segundo as projeções de mercado. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, deve voltar a aumentar os juros, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano.

A aposta de que o Fed vai elevar os juros disparou a 92,5%, segundo o FedWatch Tool, ferramenta que mede as expectativas dos investidores para as decisões do banco central americano.

O motivo é a inflação americana, que insiste em ficar acima do que o Fed considera confortável: 3,4% em 12 meses, longe da meta de 2%. A atividade econômica, por sua vez, perdeu fôlego — cresceu 0,4% no segundo trimestre, ante os três meses anteriores.

No Brasil, os números são parecidos, mas o significado é outro. A inflação em 12 meses está em 4,22%, ainda dentro da margem de tolerância da meta do BC, e a economia cresceu 0,5% no segundo trimestre, uma desaceleração contra os 1,1% registrados nos três meses anteriores.

Como a alta dos juros americanos já é esperada, ela deve ter pouco impacto imediato nos mercados. O que importa agora é saber se será o início de uma sequência de altas ou um movimento isolado.

A resposta ajuda a entender como a decisão do Fed pode chegar ao bolso do brasileiro — pelo dólar, pelo crédito e por outros caminhos.

Efeito não aparece na hora, mas vem depois

A decisão do Fed pode chegar ao Brasil por diferentes caminhos, mas dois deles afetam mais diretamente o dia a dia: o dólar e o crédito. Os efeitos, porém, não costumam aparecer de imediato.

Fernando Benavenuto, especialista em investimentos e sócio-fundador da Anvex Capital, explica que um deles é o câmbio — o mercado em que moedas são negociadas e que define, na prática, quanto custa comprar dólares em relação ao real.

“O efeito sobre a vida concreta do brasileiro é mais lento e vem por vias indiretas. Um dólar estruturalmente mais pressionado encarece importados e insumos, o que leva semanas a meses para chegar à prateleira.”

O outro caminho é o crédito. Benavenuto destaca que juro alto lá fora “reduz o espaço para o Banco Central cortar a Selic aqui” — ou seja, o financiamento da casa própria, os empréstimos e o rotativo do cartão podem continuar caros por mais tempo do que o esperado.

Fonte: g1