28/01/2026 09h15
Foto: Divulgação
O avanço da torre de controle logístico está alterando a dinâmica entre transportadores, operadores e clientes na cadeia de suprimentos. Em 2025, a Brado atingiu uma taxa de OTD (On Time Delivery) de 99% e, na visão do cliente, esse foi um dos grandes impulsionadores para o crescimento no NPS. No último ano, a empresa atingiu a considerada zona de qualidade, com um índice de 54 de satisfação. A implementação da torre é focada na etapa rodoviária, possui acompanhamento em tempo real e ações com reflexo imediato, que ecoam uma tendência mais ampla, utilizando dados e análises operacionais para conectar modais, priorizando ações de redução de riscos, perdas e impacto nos clientes, além do aumento na previsibilidade e maior força na tomada de ações estratégicas.
Esse modelo vai além do rastreamento convencional. Ele une monitoramento ativo, planejamento tático, gestão por alertas e ciclos de feedback contínuos. Em cadeias longas e multimodais, essa diferença pode ser crítica. Segundo relatório da Deloitte, modelos analíticos aplicados à manutenção preditiva podem antecipar em até 92% as falhas que afetam a disponibilidade dos veículos, reduzindo paradas e ampliando a eficiência operacional.
Arquitetura operacional e expansão — Implementada em 2023, a torre opera 24 horas em parceria com a Xcelis, a partir de uma central instalada em Valinhos (SP). A empresa especialista em supply chain monitora a etapa rodoviária em tempo real, acompanha programação, controle de rota, janelas de carregamento, causas de retenção e estimativas de chegada, além de reportar desvios e acionar alertas. O processo envolve desde a saída do cliente até a entrada da carga no terminal ferroviário da Brado.
A partir desse ponto, analistas internos assumem o fluxo multimodal, integrando janela ferroviária, planejamento e priorização de cargas. A operação estreou em Sumaré (SP), foi expandida para Rondonópolis (MT) e Santos (SP) e hoje cobre 100% dos clientes.
Para Giuliano Gorski, gerente de operações rodoviárias da companhia, a mudança não é apenas digital. “O maior desafio da multimodalidade é sincronizar o rodoviário, que é altamente variável, com o ferroviário, que é mais estável e pautado por janelas. A torre atua justamente no trecho mais sujeito à dispersão, reduzindo incertezas e ampliando a previsibilidade”, afirma.
Efeitos aparecem em indicadores
Dentro do OTD consolidado, a torre permite identificar o desempenho por transportadora, tipo de ocorrência, validar e controlar idade de frota, volume de retenções, trânsito e ainda propor rotas alternativas. Esse detalhamento contribui para renegociações, otimização de malhas e ajustes operacionais com ciclos de feedback mais curtos, além de reduzir custos operacionais.
“Com métricas objetivas, a performance deixa de ser percepção e se transforma em dados. Transportadoras são avaliadas com critérios claros, clientes recebem atualizações consistentes e eventuais gargalos podem ser tratados antes de virarem custo”, complementa o gerente.
Desde a implementação da torre de controle, o modelo passou por ciclos sucessivos de aprimoramento, ampliando o escopo de dados, indicadores e processos. Em vez de ferramenta de vigilância, tornou-se infraestrutura estratégica para orquestração logística e para elevar a qualidade de entrega e atendimento no ambiente multimodal.