24/05/2026 11h40
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O número de travessias de navios pelo Canal do Panamá aumentou 8% em relação ao ano anterior, atingindo uma média diária de 38, informou a Bimco. De acordo com Filipe Gouveia, gerente de Análise de Transporte Marítimo da associação, o crescimento foi impulsionado principalmente pelo setor de navios-tanque.
“Os trânsitos foram especialmente intensos nas últimas cinco semanas, com um aumento de 16% em relação ao ano anterior, devido ao crescimento das exportações de energia dos EUA para o Pacífico”, acrescentou Gouveia.
Segundo a Bimco, a guerra no Irã e a consequente redução do trânsito pelo Estreito de Ormuz interromperam as exportações do Golfo Pérsico, reduzindo a oferta global de energia e elevando os preços das commodities energéticas.
Esse cenário contribuiu para o aumento das exportações de energia dos EUA para a Ásia e para a Costa Oeste dos EUA, elevando a demanda por espaço de trânsito no Canal do Panamá. A Bimco indicou que a capacidade máxima diária da hidrovia é de 36 a 40 trânsitos, portanto, atualmente opera próxima ao seu limite operacional.
“Algumas vagas de transporte são reservadas com antecedência, enquanto outras são oferecidas como vagas de última hora que são leiloadas diariamente. O recente aumento na demanda elevou os preços do leilão e levou a um aumento de 50% no tempo de espera em comparação com o ano anterior, que agora tem uma média de 47 horas”, explicou Gouveia.
A organização observou que os setores de contêineres, gás liquefeito de petróleo (GLP), navios-tanque e graneleiros representam juntos 77% dos trânsitos pelo Canal do Panamá.
A Bimco também indicou que as linhas de contêineres geralmente operam com horários fixos que lhes permitem reservar espaços com antecedência, enquanto setores como graneleiros e petroleiros geralmente gerenciam suas travessias em datas mais próximas do trânsito.
Diante do aumento dos custos e dos tempos de espera no Canal do Panamá, algumas operadoras estão avaliando rotas alternativas, como o Cabo da Boa Esperança ou o Cabo Horn. Segundo a BImco, essas opções envolvem distâncias maiores e maior consumo de combustível, embora possam reduzir as despesas relacionadas ao canal e oferecer maior flexibilidade operacional.
A organização acrescentou que a procura por trânsitos marítimos poderá manter-se elevada enquanto persistirem as perturbações no Estreito de Ormuz e o dinamismo das exportações energéticas dos EUA se mantiver.
Fonte: Mundo Marítimo