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Economia

Trump anuncia tarifa de 10% para produtos importados do Brasil

Medidas comerciais entram em vigor a partir de meia noite desta quinta-feira (3)

03/04/2025 07h05

Foto: Divulgação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quarta-feira (2) uma tarifa de 10% sobre produtos brasileiros, como parte de seu aguardado pacote de tarifas comerciais, batizado de “Dia da Libertação”, que estabelece sobretaxas recíprocas a produtos importados de todos os países com barreiras consideradas desproporcionais. A medida marca uma virada radical na política comercial americana e eleva a incerteza sobre os rumos da economia global.

As tarifas variam conforme o país, e chegam a até 49% no caso do Camboja, que cobraria dos EUA tarifas de 97%. A conta, defende o governo americano, inclui manipulação de moeda e barreiras comerciais. As tarifas começam a valer a partir da meia noite desta quinta-feira (3).

O Brasil sofrerá sobretaxa de 10%, a menor entre todas as alíquotas impostas, junto com Singapura e Reino Unido. Segundo simulação do Bradesco, uma tarifa como essa se encaixaria em um cenário de impacto na economia brasileira na ordem de US$ 2 bilhões sobre exportações brasileiras.

Segundo informações da BBC, a Casa Branca esclareceu após o anúncio que os números de tarifas apresentados por Trump incluem taxas recíprocas e a tarifa base de 10%. Países aos quais uma sobretaxa já foi imposta anteriormente, portanto, como Canadá e China, terão um percentual adicional.

“Hoje é o Dia da Libertação”, disse Trump em discurso, acrescentando que a data será lembrada como o dia em que a indústria americana “renasceu”. “Nossos contribuintes foram enganados por mais de 50 anos, mas isso não vai mais acontecer”, falou.

Trump criticou tarifas de importação aplicadas por outros países a produtos dos EUA, como os 10% cobrados pela União Europeia sobre veículos americanos. No entanto, ele não mencionou as tarifas elevadas dos próprios EUA, como os 25% sobre caminhões estrangeiros — em contraste com os 2,5% aplicados aos carros europeus.

O governo americano já anunciou uma tarifa de 25% sobre carros e autopeças importados, que entra em vigor após a meia-noite de quinta-feira (3).

O que são tarifas recíprocas?

O conceito de “tarifa recíproca” parte do princípio de equiparar os encargos: se o país A cobra 15% sobre um produto americano, os EUA aplicarão os mesmos 15% sobre o produto equivalente vindo desse país. No entanto, essa lógica ignora aspectos técnicos do comércio internacional e desconsidera compromissos firmados em acordos multilaterais. Para muitos analistas, esse modelo abre espaço para discricionariedade política e acirramento de disputas comerciais.

Na tabela divulgada pelo governo Trump, os países foram organizados conforme o nível de barreiras comerciais que impõem aos Estados Unidos. A metodologia adotada considerou três fatores: a diferença entre as tarifas de importação praticadas pelos EUA e por seus parceiros, a carga tributária interna de cada país e a presença de barreiras não-tarifárias.

Com base nesses critérios, Washington determinou a aplicação de uma sobretaxa correspondente à metade do chamado “nível de proteção” identificado. A abordagem, no entanto, tem sido alvo de críticas de especialistas, que apontam a imprecisão ao misturar tributos internos com tarifas de importação. Outro ponto controverso é a dificuldade em quantificar barreiras não-tarifárias, como exigências ambientais ou regras de propriedade intelectual.

No caso do Brasil, o nível de proteção calculado foi de 10%. Como esse é o piso estabelecido pelo decreto, o país será alvo de uma sobretaxa de 10% sobre suas exportações aos EUA.

Quais são os impactos esperados?

De forma direta, o impacto sobre o comércio brasileiro deve ser relativamente limitado no curto prazo, porque os setores brasileiros mais expostos — como aeronaves, aço e petróleo — não estão entre os principais alvos neste primeiro momento. 

A secretária do Agro de Trump tem visita marcada para o Brasil em breve para discutir maior equilíbrio da balança comercial de produtos agrícolas entre os dois países.

Otaviano Canuto (ex-FMI e Banco Mundial) alerta também para efeitos do canal financeiro no brasil. Isso porque as tarifas devem elevar a inflação nos EUA, o que pode forçar o Federal Reserve (Fed) a manter juros mais altos por mais tempo. Isso tende a pressionar o real, encarecer o crédito e limitar o espaço para cortes de juros no Brasil.

Com isso, mesmo sem impacto direto nas exportações, o país sentiria os efeitos por meio do encarecimento do financiamento externo, desvalorização cambial e aumento da inflação doméstica.

Tarifas anunciadas por Trump

País

Taxa

China

34%

União Europeia

20%

Vietnã

46%

Taiwan

32%

Japão

24%

Coreia do Sul

25%

Tailândia

36%

Suíça

31%

Indonésia

32%

Reino Unido

10%

África do Sul

30%

Brasil

10%

Bangladesh

37%

Singapura

10%

Israel 

17%

Filipinas

17%

Chile

10%

Austrália

10%

Paquistão

29%

Turquia

10%

Sri Lanka

44%

Colômbia

10%

Fonte: InfoMoney