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Transporte Aquaviário

Vendas de embarcações de 2ª mão permanecem sólidas

O cenário continua marcado por custos mais elevados por itinerário, desvios de rota e uma frota global envelhecida

22/08/2026 10h48

Foto: Divulgação

A atividade de compra e venda de navios usados ​​manteve-se em 2026, apesar das alterações nas rotas comerciais associadas à crise no Estreito de Ormuz. Segundo dados da VesselsValue, os compradores concentraram as suas aquisições nos mercados de graneleiros e petroleiros, num contexto de custos mais elevados por rota, desvios em torno do Cabo da Boa Esperança e aumento dos preços dos combustíveis, informa a Veson Nautical.

No segmento de navios graneleiros, a Capital Axis Maritime e a JIC Leasing dividem o primeiro lugar em número de aquisições, com oito embarcações cada. No entanto, a Capital Axis Maritime lidera o mercado em valor desembolsado, com US$ 596 milhões.

A ICBC Financial Leasing ocupa o segundo lugar em investimento, com US$ 504,27 milhões alocados a sete navios graneleiros. Em seguida, vem a Maran Dry Management, com US$ 442,8 milhões para seis embarcações, e a CMB Financial Leasing, com US$ 375,77 milhões para outras seis. O Bank of Communications Financial Leasing completa a lista dos cinco maiores compradores do segmento, com US$ 254,24 milhões para quatro navios.

O comportamento do mercado de segunda mão reflete o envelhecimento da frota mundial e a limitação das entregas de novos navios no curto prazo. Esses fatores contribuíram para a manutenção do valor dos ativos, mesmo diante do impacto dos custos mais elevados associados ao desvio de rotas.

Navios-tanque para concentrados

No mercado de navios-tanque, a Sinokor ocupa o primeiro lugar tanto em número de embarcações adquiridas quanto em valor investido. A empresa de navegação comprou 73 navios-tanque, totalizando US$ 5,925 milhões até o momento em 2026.

O Industrial Bank Financial Leasing ocupa o segundo lugar em gastos, com US$ 1.151,9 milhões para 12 navios-tanque. A Adnoc Logistics and Services destinou US$ 987 milhões para oito embarcações, enquanto o Bank of Communications Financial Leasing desembolsou US$ 917,8 milhões para oito navios. A Frontline completa o top cinco, com US$ 875,7 milhões para sete embarcações.

A crise no Estreito de Ormuz está afetando os padrões de navegação de navios-tanque, de acordo com dados de rastreamento AIS mencionados na análise. As mudanças nos itinerários coincidiram com uma maior demanda por navios capazes de operar em rotas comerciais alternativas.

Estreito de Ormuz condiciona o mercado.

Segundo a Veson Nautical, a evolução das aquisições dependerá em parte das condições geopolíticas e da situação no Estreito de Ormuz. Os valores dos VLCCs estão em níveis não vistos desde 2008, enquanto os proprietários de frotas mais antigas continuam a avaliar operações de renovação de tonelagem.

No mercado de navios graneleiros, a atividade também tem sido marcada por uma perspectiva de longo prazo, mesmo diante das atuais alterações de rotas. O envelhecimento da frota e a limitada incorporação de novos navios surgem como fatores que sustentam o valor dos navios usados, enquanto essa relação entre oferta e idade persistir.

Segundo a Veson Nautical, uma eventual redução das perturbações associadas ao Estreito de Ormuz poderia diminuir a pressão para a aquisição de capacidade. No entanto, a idade da frota global continuaria a ser um fator relevante para a evolução do mercado de segunda mão.

Fonte: Mundo Marítimo