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Gestão

Votorantim Cimentos aposta no mercado livre de energia

Contrato fechado com a Auren Energia eleva uso de fontes renováveis acima de 90% no Brasil

20/02/2026 09h10

Foto: Votorantim Cimentos - Divulgação

O mercado livre de energia passou a ocupar papel central no plano de R$ 5 bilhões da Votorantim Cimentos entre 2024 e 2028. A companhia firmou contrato de longo prazo com a Auren Energia, com fornecimento a partir de março pelo Complexo Eólico Cajuína I, no Rio Grande do Norte, elevando para mais de 90% a participação de fontes renováveis no consumo elétrico no Brasil.

O acordo da Votorantim Cimentos com a Auren Energia foi estruturado no Ambiente de Contratação Livre (ACL). O modelo permite negociação direta entre consumidor e gerador. Além da compra da eletricidade, a empresa passa a deter participação no ativo, adotando a autoprodução por equiparação, com lastro físico renovável vinculado à operação industrial.

Mercado livre de energia redefine estratégia industrial

Ao atuar no mercado livre de energia, a companhia reduz exposição a oscilações tarifárias e amplia a previsibilidade de custos em um setor de elevada intensidade elétrica. A negociação direta fortalece a segurança energética e melhora o planejamento financeiro de longo prazo.

O contrato também dialoga com metas de descarbonização industrial, ao ampliar o uso de energia eólica e reduzir emissões indiretas (escopo 2). Nesse arranjo, a energia deixa de ser apenas insumo operacional e passa a integrar a arquitetura estratégica da produção.

A ligação societária entre as duas empresas ocorre por meio do Grupo Votorantim. Essa estrutura contribuiu para organizar a operação dentro de parâmetros financeiros e regulatórios compatíveis com o setor elétrico brasileiro

Contratação direta de energia ganha peso no investimento

No campo produtivo, a companhia prevê instalar uma nova fábrica de argamassas em Edealina, em Goiás, com capacidade de 300 mil toneladas anuais e operação estimada para 2027. Na mesma unidade, uma nova linha de moagem dobrará a capacidade de cimento para cerca de 2 milhões de toneladas por ano.

O moinho, que chegou ao país em janeiro, deve iniciar operação em abril de 2026. Em Nobres, a capacidade será elevada para 1,2 milhão de toneladas anuais, enquanto a produção de calcário agrícola alcançará 900 mil toneladas. Modernizações em Xambioá e a religação de moinhos em Esteio e Laranjeiras se somam à ampliação em Salto de Pirapora e à retomada na região Sul. Juntas, as iniciativas devem acrescentar 3,7 milhões de toneladas anuais à capacidade produtiva total.

Mercado livre de energia consolida nova lógica de expansão

Até o terceiro trimestre de 2025, cerca de R$ 2,4 bilhões já estavam executados ou contratados do Grupo Votorantim. A integração entre expansão fabril e contratação estruturada no mercado livre de energia revela uma estratégia que combina escala produtiva e previsibilidade elétrica.

Ao consolidar essa presença no mercado livre de energia, a companhia reforça o controle sobre custos e amplia o uso de fontes renováveis. Com isso, incorpora a variável energética ao núcleo do planejamento industrial brasileiro

Fonte: Economic News Brasil